• Efeito do medo
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) voltou a experimentar, ontem, de forma indireta, o que significa o medo na hora de um parlamentar decidir em matéria polêmica. Alguns situacionistas estavam receosos em ter de aprovar projeto de lei que autoriza a prefeitura a comprar títulos federais pagar compensar dívida da Cohab. Mas entre os oposicionistas houve também quem demonstrasse receio de ser cobrado pela população, caso a prefeitura sofra bloqueio de receitas.
• Pelo retrovisor
Rodrigo acompanhou a discussão sobre a dívida da Cohab da sala do presidente, do monitor de TV. Quando esteve vereador, Agostinho se deparou com desconfortos. Em mais de um dos projetos, ele foi criticado por não comparecer para votar. Ontem, teve a oportunidade de ver vereadores com o mesmo peso sobre os ombros. Mas eles não se furtaram, ao menos, em comparecer para votar.
• Sem interlocução
O resultado, ou a falta dele, para o episódio da dívida da Cohab reforça o que Rodrigo já constatou: não se governa sem maioria sólida no Legislativo e, muito menos, é possível mudar conjunturas sem interlocução política. O prefeito demorou muito para discutir a já esperada explosão da bomba relógio da Cohab, não realizou transição efetiva de governo e deixou o “barco rolar” quando, no início de 2009, a dívida foi colocada ao público.
• Filosofia na tribuna
Durante o longo debate sobre a Cohab, alguns parlamentares abusaram de frases e bordões. Roberval Sakai (PP) fez um discurso inflamado, advertindo que a cidade perderia verbas federais ao passar a ser inadimplente com a União. Fabiano Mariano (PDT) lançou: “Palavras são palavras e o vento as levam”. Natalino da Pousada (PV) filosofou: “O sol é de todos, assim como o tempo”. Isso tudo sem prejuízo de seus já famosos vícios de linguagem: “realmente” e “no que tange”.
• Juízo: única válvula
Sem a aprovação do projeto que autorizaria a prefeitura a comprar títulos para livrar a Cohab, a presidência da companhia se prepara para tentar evitar, no Judiciário Federal, o bloqueio de receitas do FPM da prefeitura e a inscrição do município no Cadim, o que seria uma catástrofe. A saída que se acena é demonstrar, concretamente, interesse em pagar, depositando em juízo a parcela correspondente ao que venceu, sem prejuízo da contestação.
• Cobrança de aluguel
O advogado Carlos Alberto dos Rios assina ação popular patrocinada por Pedro Valentim pedindo ao Judiciário o afastamento do prefeito do cargo por omissão no caso da ocupação irregular do prédio da Maçonaria, no Jardim do Contorno. A ação quer a cobrança de aluguel desde a sentença que retornou o imóvel para a prefeitura. Rodrigo disse: “O Valentim quer ser o corregedor da prefeitura”.
• Dilma não, Marta sim
Última forma: a pré-candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, não virá mais a Bauru amanhã, como estava programado. A informação é do presidente do PT, Sandro Bussola. O reagendamento será discutido segunda-feira. Mas uma mulher de destaque do PT estará na cidade amanhã. Marta Suplicy vem para uma reunião com a militância e simpatizantes, às 8h, no Obeid.