Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ontem o escritório do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na entrada do Horto de Aymorés, divisa das cidades de Bauru e Pederneiras. O objetivo é fazer o órgão enxergar a precariedade dos assentamentos.
Os cerca de 100 acampados não têm data para deixar o horto e prometem sair somente quando a questão estiver resolvida. Eles fazem parte dos assentados da Fazenda Santo Antonio, acampamento Laudenor de Souza em Piratininga.
Segundo uma integrante do movimento, Judith Santos, o movimento é nacional. “É a jornada nacional de luta que o MST faz no mês de abril. A nossa pauta de reivindicação é a melhoria na infraestrutura, construção de creches e particularidades do assentamento. Lá no nosso assentamento falta água, a conclusão de moradias e estrada.”
O assentamento de Piratininga acolhe 28 famílias e sofre com a precariedade na infraestrutura. “Vamos questionar o Incra em relação ao desenvolvimento dos assentamentos da região porque há uma precariedade enorme no que diz respeito a infraestrutura e condições de vida das famílias acampadas.”
A integrante do movimento acredita que outras ocupações ocorreram ontem em todo o Estado de São Paulo. “Certamente está acontecendo outras ocupações em municípios paulista, isso foi decidido no dia de luta,” declarou.
Os 100 integrantes, segundo Santos, vão ficar acampados ao lado do escritório. “Não vamos invadir o escritório, mas ficaremos acampados aqui até que o Incra resolva nosso problema. A ocupação é pacífica e reivindicatória.”
Embora negue, o MST prometeu desencadear esta semana uma onda de invasões de terra para provocar a pré-candidata a presidente da República Dilma Roussef (PT). O movimento quer um posicionamento da presidenciável que ocupava o cargo de ministra da Casa Civil e pouco se aproximou dos movimentos sociais e questões fundiárias. “Nós não fazemos parte desse movimento”, garantiu Judith Santos. A candidata petista tinha visita prevista para Bauru amanhã, mas adiou.
A reportagem do Jornal da Cidade entrou em contato com a assessoria de imprensa do Incra, mas até o fechamento desta edição, a informação fornecida pela órgão era de que nenhum responsável havia se manifestado sobre a invasão ou a realização de qualquer tipo de acordo com os integrantes do MST.