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HB deixa de captar córneas de doador

Da Redação
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Frank Mello Simões Júnior, um leitor do Jornal da Cidade (JC) morador em Bauru, entrou em contato com a redação para demonstrar indignação com a impossibilidade de doar córnea de seu pai junto ao Hospital de Base (HB). A ausência de plantonista no setor de captação impediu o aproveitamento da córnea por algum paciente que está na fila.

A longa história começou quando Júnior levou seu pai, Frank Mello Simões, um aposentado de 73 anos que sonhava em ser doador de córneas, até o Pronto-Socorro (PS), no dia 21 de março passado. Ele apresentava sintomas de falta de ar e cansaço, fruto de deficiência na válvula mitral instalada no coração.

Segundo Júnior, o aparelho deveria ser trocado, pois, conforme laudos médicos, apresentava defeitos. Mas o Hospital de Base não possuía aparelhos para a realização dessa cirurgia. Então, o paciente aguardou em casa e, depois, foi para o PS para aguardar vaga no hospital.

E lá ele permaneceu, a espera pelo atendimento. Passados dois dias, às 1h30 da madrugada do dia 24 de março, conforme Frank, seu pai conseguiu um quarto na sala de pacientes graves para, em seguida, realizar a cirurgia de troca de válvula. “Ele estava com a temperatura baixa e muita falta de ar quando subiu para o quarto”, relatou Frank Júnior.

Segundo Júnior, seu pai não chegou a permanecer 10 minutos neste quarto e já foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde veio a falecer, na mesma noite.

Desejo de doador

O aposentado de 73 anos tinha o desejo de ser doador de córneas. Então Júnior, que viu vários cartazes no Hospital de Base *HB) incentivando a doação de órgãos, decidiu realizar a vontade do pai fazendo a doação.

Mas, ao procurar um responsável pelo setor de captação de órgãos do hospital, Júnior teve uma surpresa. “Eu conversei com a enfermeira padrão que pediu para que eu falasse com outra responsável. Essa segunda pessoa me informou que o responsável pela captação das córneas estava de folga”, desabafou Júnior.

Indignado, ele procurou saber como isso poderia acontecer, já que o local faz até divulgação a respeito. “Eu me revoltei e comecei a rasgar os cartazes que estavam colados nas paredes do hospital. O que me deixou mais triste foi não poder realizar o sonho do meu pai. Ele sempre falava que queria doar suas córneas”, opinou.

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Equipe lamenta ocorrência e dá orientação aos cidadãos

O enfermeiro membro da equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos do Hospital de Base, Sebastião Veloso, explicou que, no dia dos fatos, não havia ninguém da comissão disponível para fazer a captação das córneas. A informação foi de que das duas funcionárias que poderiam estar no plantão, uma não trabalhava mais no local e outra estava em férias.

Entretanto, o profissional disse que se tivesse sido informado do acontecido, mesmo não estando em trabalho, se deslocaria até o hospital para fazer essa captação. “Eu infelizmente não fui informado dessa situação e peço desculpas. Não sei o porque não me avisaram. Nós prezamos muito pela doação de órgãos. Eu já presenciei um transplante de córneas em que o paciente começou a enxergar logo após a cirurgia. Nós ficamos muito felizes de dar chances de ajudar outras pessoas”, opinou o enfermeiro.

A orientação aos que desejam realizar doação de órgãos é que qualquer equipe de captação, de qualquer unidade hospital da cidade, pode fazer a coleta, caso ocorram dificuldades na prestação do serviço.

“Nós não brigamos com outros hospitais porque todos os órgãos captados obedecem a fila de doação da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Botucatu. Se outro hospital solicitar nossa equipe para fazer uma captação nós iremos com certeza”, afirmou Veloso.

Além do Hospital de Base, o Hospital Estadual de Bauru está credenciado junto à Organização e Procura de Órgãos (OPO) e apto para retirar e transplantar rins e córneas. O Hospital da Unimed também é credenciado, mas está sendo recapacitado pela OPO para captar rins e córneas.

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