São tantas as ramificações na rede de água e esgoto de Bauru que nem mesmo o Departamento de Água e Esgoto (DAE) sabe ao certo o que tem enterrado no subsolo da cidade. Um exemplo disso ocorreu no início deste ano, quando uma forte chuva arrastou uma galeria de água pluvial na avenida Nações Unidas Norte e com ela a rede de água que vem do Poço Gasparini e auxilia no abastecimento dos bairros Vânia Maria, Petrópolis, Vila Lemos e Alto Alegre, entre outros. Cerca de 20 mil moradores tiveram o fornecimento de água prejudicado.
Na ocasião, nem mesmo o DAE sabia da existência do cano que foi arrastado pela enxurrada, ou seja, a rede foi construída mas até então, não havia sido incluída no mapa. Para todos os efeitos, ela não existia, apesar de toda sua importância para o abastecimento de parte da região norte.
E assim vem ocorrendo em outras regiões da cidade. Quando surge algum problema que afeta uma tubulação que não está registrada, o DAE faz a inclusão e atualização do mapa. De acordo com a assessoria de imprensa da autarquia, por muito tempo, essa atualização deixou de ser feita, e essa falha tem provocado algumas “surpresas” recentes, como essa das Nações Norte.
O tamanho atual da rede de água e esgoto da cidade surpreende pelo tamanho. São 1.590 quilômetros de tubos levando água para as residências, comércio e indústrias e outros 1.560 quilômetros de tubos para levar o esgoto desses locais para o rio Bauru, onde ainda é despejado “in natura”. São tantos canos que, se ligados em linha reta, daria para fazer a ligação entre Bauru e Macapá, no Estado do Amapá, no extremo norte do País.
Trajeto
O trajeto começa no rio Batalha, onde foram instaladas duas adutoras de 24 polegadas de diâmetro cada uma. Elas captam a água do rio e levam para a Estação de Tratamento de Água (ETA), em um trecho de dois quilômetros e meio de distância.
Depois de tratada, a água segue para o consumidor final em três adutoras. A maior delas, de 18 polegadas de diâmetro, sai da ETA, passa pelo reservatório da Praça Portugal e segue com ramificações para o reservatório do DAE, localizado na rua Padre João, e para o reservatório na rua Galvão de Castro, próximo ao prédio do Departamento de Estrada de Rodagem (DER).
Outra adutora, de 16 polegadas de diâmetro, sai da ETA e segue em direção aos reservatórios da zona oeste. Ao chegar à Vila Falcão, a adutora se divide em duas de 12 polegadas. Uma vai para o reservatório localizado na rua Salvador Filardi, próximo ao hospital Manoel de Abreu, na Vila Souto, e a outra vai para o reservatório da rua Carlos Marques, no Jardim Bela Vista. A menor das três adutoras que sai da ETA, que mede 14 polegadas de diâmetro, também segue em direção ao reservatório da Praça Portugal, mas para ali mesmo.
Dos reservatórios, a água segue seu caminho por uma rede interminável de canos. A água que sai do rio Batalha serve para abastecer cerca de 40% da população. O restante é extraído de 28 poços artesianos. Cada poço tem seu próprio reservatório e adutora que leva a água para o sistema.
O diâmetro dos canos que chegam às residências varia de duas a dez polegadas. Quanto ao material utilizado, encontram-se vários. Desde os mais antigos, como o ferro e o galvanizado, até o PVC, mais novo e mais apropriado.
Segundo o diretor de Divisão de Produtos e Preservação de água do DAE, Isaar de Almeida, por ter uma superfície mais lisa, o PVC ajuda a dar mais velocidade à água e dificulta a encrustação, ou seja, a formação de placas do lado de dentro do cano devido ao uso de produtos químicos para tornar o produto potável.
Assim como acontece nas artérias, que reduz a vazão de sangue por causa do acúmulo de gordura e provoca infarto, os tubos também diminuem a vazão por causa dessa encrustação e podem causar problemas no sistema de abastecimento.
Como a água proveniente de poços artesianos recebe menos produtos químicos, a vida útil dos canos é maior e o encrustamento menor.
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Perda de esgoto é menor
Enquanto a rede de água enfrenta um sério problema com os constantes vazamentos, o sistema de esgoto é mais estável e os danos, bem menores. A explicação para isso está na maneira como o sistema funciona. Ao contrário da água, o esgoto não ocupa todo o espaço dentro do cano. Em média, apenas 60% do diâmetro é utilizado para levar os dejetos.
Além disso, a pressão é quase inexistente. No caso da água, a pressão pode forçar abruptamente o material e provocar rachaduras. Com o esgoto é diferente, a movimentação do produto é mais lenta.
Para a água chegar nas casas é preciso aumentar a pressão. Só assim, ela chega nas partes altas. O esgoto, por sua vez, não vai para as partes altas. Ao contrário, ele vem das partes altas. O sistema funciona por gravidade.
Embora seja um sistema tão antigo como o da água, por causa dessas particularidades, ele apresenta menos problemas, mesmo sendo um produto mais corrosivo.
Atualmente, Bauru coleta 98% do esgoto produzido pelos moradores. Nessa semana, o DAE deverá terminar a rede de coleta no Paineiras. Ficará faltando apenas a Quinta da Bela Olinda, o Jardim Shangri-lá e o Jardim Santos Dumont para alcançar os 100% de cobertura.