Ser

Editorial: Mãe, professora, psicóloga...


| Tempo de leitura: 3 min

Dizem por aí que Eva foi a única mãe a sorrir no Paraíso. Todas as demais estão sorrindo em parafuso, como descreve a escritora Lô Galasso no livro “Ser mãe é sorrir em parafuso” (Integrare Editora). E não importa a idade dos rebentos! Me lembro bem das sábias palavras da minha mãe quando engravidei da minha primeira filha, Jéssica, há 17 anos: “Nunca mais você vai dormir uma noite inteira, almoçar sem ter de levantar da mesa ao menos uma vez, tomar banho sem alguém literalmente berrando ‘manhêêêê!’...”. Mas com aquele brilho mágico e peculiar nos olhos e tomada por um certo ar de segurança interior que toda grávida tem, pensei: ‘Quanto exagero!’. Pois é, não era... Lógico que no segundo filho perdemos aquele sentimento de profunda insegurança e desamparo para curtir e carregar aquele barrigão que se apresenta e pede passagem aonde quer que você vá. E nos damos mais ao direito de deixar o pensamento voar enquanto arrumamos as gavetas com roupinhas e sapatinhos com cheirinho de bebê, sonhando com aquela coisinha que temporariamente hospedamos dentro de nós. Se a gente começasse pelo segundo filho seria tão mais fácil... Mas acho que a ciência não nos permitirá esse prazer...

Enquanto isso, o sonho de ser mãe vai povoando a cabeça das mulheres mundo afora. Uma decisão nada fácil, levando em conta os dias de hoje. Por isso, muitas se perguntam qual a melhor hora para ter filhos. E, outro dia, ouvi a resposta que talvez seja a mais correta: se você for ficar esperando a “hora perfeita” chegar, a resposta será nunca. Simplesmente porque a decisão de tornar-se mãe não nasce da razão. Nasce do coração.

Tudo bem que a mulher do século 21 não quer ser - e não é! - apenas mãe. E até por isso é uma mãe melhor. Combina, como diz Adriana Tanese Nogueira, da ONG Amigas do Parto, o amor de mãe com a inteligência da mulher esclarecida, tempera com um pouco da coragem de leoa, da criatividade da deusa e da ousadia da visionária. Tudo isso dá a ela a poção mágica que vai curar “dodóis” com um beijo, permitir que ache meias escondidas nos cantos mais improváveis, acalmar uma lágrima com um abraço...

Para essas mães e tantas outras que são mães mesmo sem ter gerados seus próprios filhos – cuidam dos sobrinhos, primos, são voluntárias em abrigos... –, o Jornal da Cidade faz a partir de hoje – e pelos próximos dois domingos – o Ser Mãe. Uma reflexão sobre uma mulher que muitos dicionários descrevem apenas como “mulher ou fêmea de animal que teve um ou mais filhos”; “mulher generosa, que dispensa cuidados maternais”; “pessoa que protege muito a outra”.

Mas ser mãe vai além de uma simples descrição no dicionário. Ser mãe é dividir o espaço da cama com alguém minúsculo que insiste em ocupar – e ocupa! - o seu lugar durante as madrugadas; é sair correndo do trabalho porque ele caiu do brinquedo da escolinha; é fazer carinhas felizes no prato de comida; é chorar escondida quando o pequeno tem de fazer exame de sangue; é ter de perguntar todos os dias se lavou as orelhas, se escovou os dentes; é ficar aflita quando vai acampar com a turma; quando atrasa cinco minutos para chegar da escola; é chorar todos os anos na festa da escolinha quando eles cantam aquela música do Roberto Carlos e fazem o coração com os dedinhos na parte em que diz “... mas como é grande o meu amor por você!”.

Ser mãe é isso e muito mais. Na verdade, acho que ainda não inventaram a palavra certa para descrever a real sensação de SER MÃE.

Só sendo para saber!

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