Entrelinhas

Entrelinha

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

• FGTS na berlinda

Há, dentro dos gabinetes da CEF de Bauru, um desconforto com a situação da execução da dívida da Cohab. A dor de cabeça vem da revelação feita pelo JC de que o mesmo FGTS, que agora executa o município, é o que ajudou a retirar em hora errada créditos habitacionais de Marília para abater uma conta futura do Núcleo Mary Dota, que só venceria em 2016. A situação não resolve a insolvência da Cohab, mas também coloca o FGTS na berlinda.

• Conta recortada

O desespero já impera na discussão sobre a aprovação ou não do financiamento para estancar parte da dívida da Cohab. Mais reuniões estão marcadas para a manhã de hoje. A nova possível saída seria deixar o empréstimo restrito, neste momento, apenas aos R$ 41 milhões executados do contrato de Marília. Ou seja, a Câmara autorizaria a compra de títulos do FGTS apenas para quitar a dívida já executada, cujo prazo vence nesta semana (dia 30).

• Bem mais em cima

O problema é que o buraco é mais em cima, bem acima da linha de cintura da capacidade municipal de pagar qualquer coisa vencida. Nem a autorização para financiar R$ 171 milhões, que está no projeto atual, resolve o problema por inteiro. A dúvida e a desconfiança dão o tom das discussões, neste momento, imobilizando boa parte dos atores que devem decidir esta pendência.

• Fantasma do FPM

Há muito de pressão política na estratégia da prefeitura de dizer que a reprovação do pedido de financiamento inviabilizaria o FPM. A primeira execução é do contrato de Marília, que já avisou, pelo JC, que vai contestar se for chamada a pagar. Um dos argumentos mais fortes da oposição é o de que se a prefeitura de Bauru for autorizada a contratar o empréstimo, vai assumir só para si uma dívida que tem Marília como fiadora. 

• Sem contrapartida

Porém, de parte da oposição, que não tem, é verdade, a função direta de resolver o problema mas é parte dele, não sai uma contraproposta efetiva, baseada em informações técnicas e jurídicas seguras. Ao longo das últimas semanas de intenso debate sobre o tema, os contrários à via do empréstimo também não conseguiram construir uma tese uníssona e cabal sobre a complexa questão.

• Conta da confiança

O DAE, que tem 3.100 kms de tubos espalhados por Bauru e vive às voltas com problemas de manutenção e rompimento de rede, tem, em seus quadros, uma pessoa de confiança para coordenar o plano de gestão nesta área. Entretanto, a diretora do Serviço de Tratamento de Esgoto, Ana Paula Soares Evangelista, nunca fez um pronunciamento sequer sobre as condições da área em que atua. O JC foi em busca de informações e publicou extensa matéria na edição de ontem.

• Os amigos do “rei”

O preenchimento daquilo que deveria ser um cargo escolhido sob o critério da excelência, é mais um posto de confiança preenchido pelo famoso “QI” (quem indica”). Enquanto os servidores de campo suam para tentar estancar vazamentos aqui e acolá, mesmo sem as condições adequadas para isso, amigos do “rei” que impera lá há anos são contemplados. A função de chefia rende para a diretora R$ 2 mil a mais do que o cargo dos chefes, os que realmente seguram o rojão. 

Comentários

Comentários