• Um dia exaustivo
A discussão do projeto de lei que autoriza a Cohab a comprar títulos ligados ao FGTS para quitar R$ 46 milhões (de um total de R$ 400 milhões) da dívida com o órgão federal, com o FPM como garantia, foi exaustiva e irritou alguns parlamentares. Foram três horas de intervalo regimental e duas reuniões separadas – oposição e situação – que ora se juntavam, ora se separavam.
• Lenha na fogueira
Nos bastidores, o desgaste poderia ter sido evitado se o presidente da Cohab, Gasparini Júnior, não tivesse atacado a oposição em entrevista ao vivo na hora do almoço, na TV Preve. Àquela altura, a aprovação para financiar pelo menos R$ 46 milhões estava fechada. Mas a fala do ex-vereador botou lenha na fogueira.
• Troca de ‘gentilezas’
Apesar do acordão, o tom dos discursos na Tribuna durante a apreciação da emenda e do projeto foi ácido. A troca de “gentilezas” foi evidente. Moisés Rossi (PPS) se defendeu por ter mudado de opinião. Antes, era contrário ao financiamento da dívida da Cohab. Ontem, disse que não tem medo de mudar de opinião. “Não tenho nenhum cargo na prefeitura. Não tenho rabo para encontrarem e puxarem para trás.”
• Farpas por todo lado
No ataque, os vereadores de oposição cobraram que o prefeito deixou para a última hora para resolver o problema da Cohab. Mas também teve farpa pela pressão por uma CEI da Cohab, pela falta de ação da comissão presidida por Amarildo de Oliveira (que deveria apurar a situação da Cohab) e até por insinuação de oferecimento de cargo de secretário para membro da oposição votar o projeto.
• Defesa da auditoria
Os parlamentares da situação disseram que todos os documentos requisitados pela Comissão de Fiscalização foram enviados. Foram feitas audiências públicas e uma série de reuniões na Casa. Amarildo, coordenador da comissão, se defendeu dizendo que os vereadores não têm condições técnicas para analisar as contas e que era preciso contratar uma auditoria.
• O cobertor é curto
O clima começou a esquentar. Segalla pediu aparte e advertiu para que se falasse menos, pois quanto mais se falava mais se criava problemas. Ameaçou mudar de novo de posição, copiando a situação de Moisés Rossi. O que se tem como resultado final é que Rodrigo não resolveu o problema da Cohab e a Câmara também não conseguiu estancar o problema. O rombo foi empurrado um pouco adiante. O cobertor é curto.
• Apuração vai ocorrer
O acordo de ontem livra o pessoal do FGTS da CEF de Bauru que, em 2003, aceitou tirar crédito do contrato de Marília para ser utilizado no contrato do Mary Dota. Livra os executivos de terem de ser chamados para pagar essa conta, de R$ 41 milhões. Mas não elimina a apuração do caso dentro e fora da CEF.
• ‘Corretor’ da estação
Ao tocar no assunto dívida federalizada, Marcelo Borges (PSDB) provocou o colega Roque Ferreira (PT), que para falar. O petista disse que respeitava o colega de anos, mas que o tucano deveria parar de ficar em barraca de feira falando que ele era “corretor” da estação ferroviária e governista. Após o comentário, o tucano não se moveu da cadeira.