Assunção - Dois brasileiros foram presos no Paraguai suspeitos de envolvimento na tentativa de assassinato do senador Robert Acevedo, ontem, na cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS).
Os suspeitos são Eduardo da Silva e Marcos Cordeiro Pereira -o segundo com antecedentes no Brasil por roubo e narcotráfico. Segundo a procuradora paraguaia Lourdes Peña, há indícios de que os dois sejam integrantes da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Peña confirma a hipótese, mas não explica sua motivação. “Nós estamos investigando as informações que temos.”
Pedro Juan Caballero é epicentro de uma das maiores zonas produtoras de maconha da América do Sul e entreposto da cocaína da Bolívia com destino a Brasil e Argentina. É também capital do departamento (Estado) de Amambay, um dos cinco do país sob estado de exceção desde sábado.
O ataque ao senador aconteceu ontem à tarde. Ele seguia de carro pelo centro da cidade quando os atiradores abriram fogo -foram ao menos 30 tiros. O motorista e um guarda-costas morreram na hora.
O senador, porém, conseguiu sair do carro e escapar. Ele foi atingido em um braço e, de raspão, na cabeça. Acevedo passa bem, mas segue em observação no Hospital São Lucas. Acevedo, que foi governador de Amambay, e o irmão, José, que é prefeito de Pedro Juan Caballero, são conhecidos por denunciar o tráfico na região.
Em 2004, a polícia brasileira descobriu um plano para assassinar o senador e o juiz federal Odilon de Oliveira, responsável por condenar mais de cem traficantes da região. Desde então, Oliveira foi para Campo Grande, e Acevedo anda escoltado.
Horas antes do ataque de segunda-feira, Acevedo havia desafiado os traficantes a enfrentá-lo, em declarações a uma rádio. “Se são machos, venham à minha casa, bandidos. Não irão me pegar os narcos de merda.”
Não há confirmação sobre as circunstâncias da captura dos brasileiros. Ontem, os investigadores foram à casa em que eles moravam e acharam vestígios de maconha e oito carros com placas brasileiras e paraguaias cujas origens estão sendo averiguadas. O dono do imóvel, brasileiro, está foragido.
Outra pista na investigação do crime é uma caminhonete Ranger cinza encontrada carbonizada perto do local, horas depois. Segundo Peña, dentro dela, foram apreendidas cápsulas de metralhadoras. Levantamento realizado no Brasil, diz Peña, revelou que o veículo teve as placas de São Paulo clonadas de outro carro, com queixa de roubo, que é do banco Itaú.
Os suspeitos capturados não falaram às autoridades paraguaias, ainda segundo Peña.
Os dois podem ficar até seis meses presos -prazo para conclusão da investigação. Eles foram indiciados por homicídio e associação para o crime.
Ontem à tarde, a polícia paraguaia encontrou os cadáveres de dois primos em Yby Yau, a 90 km da fronteira. A eventual relação é investigada.
O estado de exceção foi decretado a pedido do presidente Fernando Lugo com intuito de conter outra quadrilha, o EPP (Exército do Povo Paraguaio). O ministro do Interior, Rafael Filizzola, disse que o ataque a Acevedo faz a “sociedade paraguaia tomar consciência da situação do país.”