“Quinhentas páginas de um livro híbrido que vibra nas mãos de quem o lê, tal a vertiginosidade dos fatos encadeados, pesquisados à exaustão, que nos revelam seis décadas da trajetória do cometa Plínio Marcos. Plínio Marcos, ele mesmo, o tempo todo, como se autodefiniu. A obra ciclópica de Oswaldo Mendes é dividida em atos e cenas como se espetáculo teatral fosse, eivada de flashbacks e zooms próprios do cinema, esclarecidos nos seus vaivéns pela rigorosa Linha do tempo que situa historicamente fatos e datas de mais de meio século. Oswaldo mergulha no cipoal de relatos, memórias e emoções com o ímpeto de um trem em movimento.”
Assim, a crítica teatral Ilka Marinho Zanotto inicia o seu prefácio a “Bendito Maldito - Uma biografia de Plínio Marcos”, de Oswaldo Mendes, que será lançado em Bauru na próxima terça-feira, dia 4, numa promoção do Jornal da Cidade e da Livraria Jalovi, em cuja unidade do Altos da Cidade será realizado o evento, organizado pela produtora cultural Luciana Gonçalves.
Junto com a noite de autográfos também ocorrerá o debate “Jornalismo Cultural ao Vivo”, com a participação dos professores e jornalistas Paulo Neves (diretor de teatro) e Zarcillo Barbosa (Jornal da Cidade e 96 FM), além do autor Oswaldo Mendes.
O evento vai homenagear Plínio nos dez anos da sua morte e 50 anos da estreia de “Barrela”, a sua primeira peça, que foi proibida após uma única apresentação em 1 de novembro de 1959. “Bendito Maldito” é um lançamento da Editora Leya, importante grupo editorial português que chegou ao Brasil em 2009 e escolheu a biografia de Plínio Marcos e “Histórias de canções: Chico Buarque”, de Wagner Homem, para estrear no mercado brasileiro.
“Adiei o mais que pude o trabalho porque não queria escrever movido pelo tributo à amizade”, diz Oswaldo Mendes.
“Atendendo ao que o Plínio exigiria, eu não queria agir feito “Poliana”, oferecendo o retrato pacificado de uma personagem complexa e guerreira como ele. A vida de Plínio é uma grande narrativa dramática, que vai da política ao teatro, passando pela música, o futebol, a repressão, a imprensa, o tarô, a televisão, a religiosidade. Daí a opção de dividi-la em três atos, com respectivas linhas do tempo, na esperança de ajudar o leitor, principalmente o das novas e futuras gerações, a seguir a trajetória do personagem e compreender as circunstâncias que determinaram a sua ação. Embora o título sugira uma contradição adjetiva, ‘Bendito Maldito’ procurou substantivar a narrativa, cúmplice do próprio Plínio que pedia para não lhe pregarem rótulos.”
• Serviço
“Bendito Maldito” será lançado na próxima terça-feira, dia 4, às 20h, na Livraria Jalovi do Altos da Cidade, na rua Antonio Alves, 22-75. Na sequência, tem o debate “Jornalismo Cultural ao Vivo”, com a participação dos professores e jornalistas Zarcillo Barbosa e Paulo Neves. Telefone (14) 3234-3600.
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Sobre o autor
O autor de “Bendito Maldito - Uma biografia de Plínio Marcos”, Oswaldo Mendes nasceu em Marília, em 1946. Atua no teatro e na imprensa de São Paulo desde 1969. Ator, diretor e dramaturgo, formou-se pela Escola de Arte Dramática da USP. Jornalista de 1969 a 1992, dirigiu o jornal Última Hora (SP), foi editor do suplemento Folhetim e sub-secretário de redação da Folha de S. Paulo, editor de Cultura da revista Visão e um dos fundadores da Associação Paulista de Críticos de Arte.
O autor já publicou os livros “Getúlio Vargas, uma biografia” (Editora Moderna, 1984), “Ademar Guerra: O teatro de um homem só” (Editora Senac, 1997), indicado para o prêmio Shell, e “Teatro e Circunstância” (Editora Núcleo, 2005), que reúne três de suas peças já encenadas: “Um tiro no coração” (1984), “Voltaire - Deus me livre e guarde” (1998, prêmio Mambembe da Funarte) e “A dança do universo” (2005). Também é autor de ensaios biográficos de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque e da história da bossa nova, para a coleção “Anotações com Arte”. Para a mesma coleção, em livros que têm a função de agendas, escreveu a biografia de Ayrton Senna e a história do Sport Club Corinthians Paulista.
Como ator estreou em “Missa Leiga de Chico de Assis”, direção de Ademar Guerra, em 1972, e integra desde 2001 a companhia Arte Ciência no Palco, onde atuou nas peças “Copenhagen”, “A dança do universo”, “After Darwn” e “Perdida - Uma comédia quântica”, pela qual foi indicado ao prêmio Shell de melhor ator. Dirigiu, entre outros espetáculos, “Brecht Segundo Brecht”, com Armando Bogus; “São Paulo Brasil”, com César Camargo Mariano; “Essa mulher”, com Elis Regina; “Sinal de vida”, de Lauro César Muniz, com Antonio Fagundes e Francisco Milani; e “Natal na praça”, com Etty Fraser e Caio Blat. Pelo livro “Bendito maldito - Uma biografia de Plínio Marcos”, ele recebeu o Prêmio Especial de Teatro, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, no último dia 6.