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Diário do Grande ABC sofre censura


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O Diário do Grande ABC está sob censura. O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), recorreu à Justiça, impedindo que o jornal publique reportagens sobre o descarte da administração municipal de carteiras escolares em bom estado de conservação.

A liminar foi concedida pela 1ª Vara Cível de Santo André. Apesar de ter sido contemplado na reportagem, com o posicionamento do governo sobre o assunto, Marinho reclamou da publicação da notícia. O jornal recorreu da sentença.

No dia 24 de fevereiro, o jornal mostrou que a Prefeitura de São Bernardo, sob o comando de Luiz Marinho, estava doando a centros de reciclagem cadeiras e mesas utilizadas na rede pública de ensino municipal. Além de o material estar ainda em plenas condições de uso, existiam carteiras até com placa de patrimônio público.

A reportagem chegou a comprar o conjunto por R$ 10 (R$ 7 a carteira e R$ 3 a cadeira) em depósito conveniado com a administração municipal, no bairro Assunção. O par comprado estava bem conservado e poderia facilmente ser usado por alunos das escolas municipais.

Apesar de o jornal ter publicado imagens ratificando que o material escolar não estava danificado, a Prefeitura alegou o contrário, manifestando-se apena em nota enviada à Redação. “Os móveis quebrados, trincados ou com as ferragens comprometidas (que é o caso dessas carteiras), são encaminhados para os centros de reciclagem”, dizia a resposta da administração de São Bernardo.

Posição da APJ

Renato Delicato Zaiden, presidente da APJ (Associação Paulista de Jornais), entidade que reúne 14 dos principais jornais regionais do Estado, entre eles o Jornal da Cidade, criticou a decisão. “A censura judicial é lamentável do ponto de vista da liberdade de imprensa e preocupante do ponto de vista da democracia. A informação tem que ser livre. Não se pode impedir que um órgão de imprensa tenha um posicionamento sobre coisas públicas.”

Zaiden também condenou o posicionamento do prefeito Luiz Marinho. “Lamentável que um político tente se servir de instrumento de censura para não ser questionado, ainda mais num momento em que o País consolida as suas instituições. A publicação ou não de uma matéria não deveria ser assunto para a Justiça decidir, mas sim um caso para julgamento da opinião pública, que sem informação não pode fazê-lo. O Poder Público pode exercer o seu direito de resposta; censurar, jamais.” (Sérgio Vieira, Diário do Grande ABC)

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