Política

Periferia espera 10 praças de Rodrigo

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

No início de 2009, ainda embalado pelos efeitos da vitória eleitoral, o prefeito Rodrigo Agostinho anunciou que seriam construídas nada menos que 10 praças por ano durante seu governo. A ambiciosa meta saiu durante a inauguração da praça Jardim Ambiental, na quadra 7 da rua Luis Ferrari, no Parque das Nações. A periferia, enfim, nas palavras do jovem prefeito, teria espaços remodelados de lazer e entretenimento. “Queremos garantir 10 por ano. Primeiro atacamos a falta de projeto, agora buscamos o restante. E perto do benefício que vai trazer, o investimento não é grande”, disse o prefeito, na oportunidade.

Mas o efeito de êxtase eleitoral passou e, 15 meses depois, o que é mato continua mato na periferia e o que é projeto continua desenho em papel em alguma prateleira da Prefeitura de Bauru. Das 10 novas praças anunciadas para o primeiro ano, uma teve as obras paralisadas por falta de fôlego operacional, outras duas estão prometidas para serem instaladas somente até o início do segundo semestre e seis ainda vão esperar a realização de licitação.

Em agosto de 2009, durante a programação de festas do primeiro aniversário da cidade comemorado sob seu comando, Agostinho repetiu no auditório do Palácio das Cerejeiras o programa de dotar a periferia de praças. Em dezembro, ao fazer a avaliação de seu primeiro ano de mandato, ele não só reforçou a pretensão como apresentou em projeção por power-point – sua ferramenta preferida de gestão – novamente o programa. Lá estavam, no telão até os “croquis” dos projetos e os endereços pretendidos.

Tempo e realidade

O tempo passou e as praças não vieram. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, os projetos ainda vão esperar a contratação. “Estão em andamento os procedimentos preparatórios para abertura de processo de licitação para a construção de seis novas praças, com a conclusão do mesmo (processo), estimada para este ano”, atualizou o governo.

Ou seja, das 10 praças anunciadas em 2009, que agora deixam a escala irreal da dezena/ano, 60% só devem sair em 2011, no terceiro ano do atual governo. Mas o alento, segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), é que pelo menos três podem ser viabilizadas durante este ano. “Outras três novas praças deverão ter as obras executadas pela Secretaria Municipal de Obras, sendo que já foi dado início ao serviço de terraplanagem na área reservada no Núcleo Mary Dota, mas que teve que ser interrompida devido a outras obras emergenciais na cidade. A retomada do serviço dessa praça está prevista para o mês de julho. As obras das outras duas serão executadas na sequência, de acordo com a secretaria”, conta a administração.

O prefeito, para fazer justiça, chegou a entregar outros espaços desde janeiro do ano passado. Mas elas foram projetos iniciados ainda no governo anterior. Foram os casos da praça Kasato Maru, na Vila Eugênia, que Tuga Angerami não conseguiu finalizar em sua gestão, e a própria Praça Jardim Ambiental, no Parque das Nações, que a prefeitura teve de contar com a parceria do Rotary Bauru para terminar.

Mas o povo continua sentado nas calçadas, esperando as praças de Rodrigo. Na inauguração da praça do Parque da Nações, o prefeito disparou: “A meta é construir dez praças por ano. A primeira dezena, que tem um custo total de cerca de R$ 1,5 milhão, já tem projeto pronto e a prefeitura busca parceiros para o investimento. Durante o primeiro semestre, elaboramos os dez primeiros projetos. Cada uma das praças terá uma série de equipamentos. Algumas terão parquinho, outras, quadras esportivas, pistas de caminhada”.

Para diferenciar seu compromisso dos antecessores, Agostinho caprichou até na definição do conceito de espaços verdes em seu mandato : O objetivo é oferecer para cada um desses bairros opção de lazer e esporte e também espaço para shows e eventos culturais. O conceito é pegar terrenos públicos e fazer um projeto que incorpore vegetação e espaços para lazer, esporte e cultura”, disse.

E para não esquecer do discurso de 2009, não se pode deixar de citar a promessa de Rodrigo de construção de quadras poliesportivas espalhadas pelos bairros. Foi divulgado assim, no primeiro ano: “A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) desenvolve um projeto padrão, que poderá ser executado nos bairros. Na área central deverá ser construída uma pista grande de skate, que poderá sediar eventos da modalidade. Será um projeto diferente, com um boa infraestrutura para a moçada”, disse.

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Estrutura e fôlego

Em se tratando de promessas e capacidade de realização, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) assumiu a fase da realidade apenas neste ano. Depois de passar meses do primeiro ano de gestão listando projetos e programas, ainda sob os efeitos da empolgação do início de mandato e do resultado da eleição, Agostinho passou a enfrentar a etapa da justificativa.

O programa de pavimentação não conseguiu decolar porque só agora a administração percebeu que não basta ter recurso em caixa e fazer licitação. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) não consegue liberar as quadras para as obras e, por isso, a saída anunciada foi que a autarquia terá de contratar uma empresa para esse ofício.

A Secretaria Municipal de Obras, apesar da compra de alguns equipamentos internos, ainda sofre com a falta de aparelhamento operacional.

Faltam profissionais e maquinário. A área de projetos da Secretaria de Planejamento (Seplan) continua sem estrutura e as frentes de serviços ou contratações para praças, programa de remoção de moradias em áreas de risco e pavimento continuam, cada uma, parada em um ponto da engrenagem pública.

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