Aos 8 anos, uma garota alegre e cheia de vida apresentou os primeiros sintomas de uma grave doença. Ao realizar os exames foi constatada uma dura realidade para toda a família: Gabriela Rodrigues Castro estava com leucemia linfoide aguda, um subtipo mais raro e agravante da doença mais conhecida apenas como leucemia.
Com a família ainda mais unida, começou a luta para encontrar um doador de medula óssea, que envolveu de forma especial a avó de Gabriela, Eliana Castro, moradora de Bauru. Ela procura um doador para a neta espalhando e-mails e pedindo ajuda para amigas como Sandra Guazi, funcionária da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), que conseguiu autorização para divulgar uma campanha dentro da instituição com o objetivo de encontrar possíveis doadores para a adolescente.
Gabriela, que atualmente mora em São Paulo, sempre muito esperançosa e perseverante foi submetida a sessões de quimioterapia. A indicação para um possível transplante era inicialmente descartada pelos médicos, segundo a mãe Sílvia Rodrigues. A menina fez todo o tratamento indicado e, dois anos depois, de acordo com os médicos, ela estava curada.
Sílvia conta que os médicos de Gabriela explicaram a ela que se a doença não voltasse em sete anos, era muito provável que estaria curada de vez. “Eles falaram que ela estava curada, mas que a doença poderia voltar a se desenvolver nesse período. Infelizmente, foi o que aconteceu”, relata a mãe.
Em fevereiro deste ano Gabriela começou a reviver todo o passado que, para ela, parecia estar enterrado. Agora, com 14 anos, estava novamente com leucemia linfoide aguda e necessitava imediatamente começar as sessões de quimioterapia. “Foi muito triste, mas ela encarou tudo novamente” conta Sílvia.
“Conquistas de Gabi”
A garota começou novamente sua luta incansável contra a doença e a indicação para o transplante de medula óssea foi prioridade para os médicos após o início da quimioterapia. Para contar um pouco de sua história e demonstrar sua vontade de viver, Gabriela criou um blog intitulado “Conquistas de Gabi”.
No site pessoal, conquistasdegabi.blogspot.com, a garota conta como foi a sua internação, o tratamento, os deslizes da doença, pede ajuda para doação de sangue e de medula óssea.
“Força na peruca!” é uma das frases de destaque do blog. Depois de novamente perder os cabelos em consequência da quimioterapia, ela usa uma linda peruca e posta no site um dia em que foi ao cabeleireiro para arrumá-la. “Nossa, sabe de onde eu acabei de voltar? Do salão! Estava arrumando a minha peruca e raspando minha cabeça. Ficou linda demais! É isso aí! Força na peruca!”, escreveu a adolescente.
Os primeiros a tentarem ser doadores de Gabriela foram os pais, a irmã e a avó, mas o teste de compatibilidade deles foi negativo. Então, a avó Eliana começou a buscar doadores para salvar a vida da neta. “Como tem que esperar o banco, eu me mobilizei e comecei a procurar por conta própria”, conta a avó.
Eliana mandou correntes com pedidos de ajuda para amigos, que repassaram para outras pessoas. Sandra Guazi, amiga de Eliana, também se prontificou a ajudar. “Ela é uma menina muito batalhadora e merece um transplante. Vamos torcer para encontrar um doador para ela”, defende Sandra.
A esperança da família e da própria Gabriela é de encontrar um doador o mais rápido possível, por isso, elas pedem ajuda.
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Transplante: 1 compatível para cada 100 mil
A médica Telma Cristina de Freitas, coordenadora do Hemonúcleo de Bauru, explica que não há uma lista de espera por ordem de inscrição para receber a medula, então, ela pode ser recebida de doadores de qualquer banco do Brasil.
Porém, encontrar um doador compatível é bastante difícil. ”Entre parentes diretos como irmãos é mais fácil encontrar um doador compatível. Mas entre não-parentes a média é de uma pessoa com medula compatível para cada 100 mil”, ressalta.
Em Bauru, o número de doadores saltou de 4.128 para 4.436 no período de dezembro de 2009 a maio deste ano. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), qualquer pessoa entre 18 e 55 anos com boa saúde pode ser doador de medula óssea.
Os dados pessoais e os resultados dos testes são armazenados em um sistema informatizado que realiza o cruzamento com dados dos pacientes que estão necessitando de um transplante. Em caso de compatibilidade com um paciente, o doador é então chamado para exames complementares e para realizar a doação.
A medula que será transplantada é retirada do interior de ossos da bacia, por meio de punções, e se recompõe em apenas 15 dias. Os doadores preenchem um formulário com dados pessoais e é coletada uma amostra de sangue com 5ml para testes. Estes determinam as características genéticas que são necessárias para a compatibilidade entre o doador e o paciente.
Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana. Os pacientes que precisam de transplante de medula óssea são os com doenças de sangue, como anemia aplástica ou leucemia.