Rio - As mulheres estão presentes em cargos de primeiro escalão em quase todas as cidades do país, embora as prefeitas correspondam a apenas 9,2% do total - muitas delas herdaram dos maridos e dos pais o capital político para se eleger.
Os dados, de 2009, constam da Munic (Pesquisa de Informações Básicas Municipais), divulgada ontem pelo IBGE.
O levantamento mostra que 96,7% das cidades possuíam no ano passado mulheres na chefia de unidades administrativas -o equivalente ao cargo de secretário municipal.
Entre as 512 prefeitas, mais da metade (51,2%) lideravam cidades nordestinas. A concentração tem motivo: na região, a cultura política familiar é uma tradição secular e os “clãs”, muito fortes, introduzem suas mulheres na vida pública.
“Muitas vezes as mulheres tomam contato com a política e se interessam por ela por causa das famílias, e não pela da militância”, diz Luana Pinheiro, gerente de Projetos da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres.
No Rio Grande do Norte, a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), é filha de um ex-senador. A ex-governadora Wilma de Faria (PSB, candidata ao Senado) vem de tradicional família de políticos do Estado.
“O fato de meu pai ter sido político certamente pesou, porque desde criança aprendemos sobre a importância da participação política”, diz Micarla.
Vânia Pacheco, gerente da pesquisa do IBGE, explica que a representação política praticamente não avançou nos últimos anos e que as mulheres no primeiro escalão estão, na maior parte das vezes, em áreas tipicamente femininas, como educação e assistência social. Em 2005, as prefeitas correspondiam a 8,1% do total.
Igualdade de gênero
Há, porém, um fato positivo: uma vez à frente de prefeituras, elas promovem mais políticas de igualdade de gênero, de acordo com Luana Pinheiro.
Segundo o IBGE, entretanto, poucas eram as cidades que dispunham de instrumentos para a política de promoção das mulheres. Em 2009, apenas 7,1% dispunham de delegacias especializadas para seu atendimento, 4,7% contavam com abrigo para vítimas de violência e 10% possuíam defensoria pública exclusiva para mulheres.
Número de servidores
De 2008 para 2009, o contingente de servidores das prefeituras cresceu 9,7% e alcançou o total de 5,7 milhões de pessoas empregadas na administração municipal. Desse total, 94,9% eram funcionários da administração direta e 5,1% da indireta (autarquias e estatais).
A taxa de crescimento no último ano superou a de períodos anteriores, segundo o IBGE. O total de servidores das cidades havia se expandido em 2,1% entre 2006 e 2008; 6,5% entre 2005 e 2006; e 5,4% entre 2004 e 2005.
Segundo o IBGE, a maior parte dos que trabalhavam na administração direta municipal eram estatutários (62,2%). Os servidores sem vínculo permanente correspondiam a 16,8% em 2009.
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Acessibilidade
Rio - Também pela primeira vez, o IBGE pesquisou as condições de acesso e adaptação de alguns órgãos públicos e constatou que 48% dos municípios do país tinham escolas aptas a receber pessoas com algum tipo de deficiência -sejam elas motoras, visuais, auditivas e mentais, entre outras.
Quanto maior o porte da cidade, mais presentes eram as escolas adaptadas, de acordo com os dados do IBGE. O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número de municípios com unidades escolares “inclusivas’’: 82,6%.
Utilizar os ônibus municipais continua sendo difícil para os portadores de deficiências: apenas 29,2% das cidades adotavam, em 2009, critérios de acessibilidade em suas frotas. E 53,1% das sedes das prefeituras não possuíam nenhum item (como rampas) “inclusivo’’