Nova York - A mania que muitos usuários da droga alucinógena Salvia divinorum têm de publicar vídeos dos efeitos da erva na Internet, no site YouTube, rendeu um improvável dividendo: um estudo científico.
Com base em filmagens de jovens que se divertem vendo seus colegas “viajarem” após uma ou duas tragadas da fumaça da erva, cientistas nos Estados Unidos conseguiram, pela primeira vez, saber com alguma precisão qual o período de duração do efeito da droga.
Imagens de gente rindo descontroladamente, rolando pelo chão e ainda estranhando o próprio corpo forneceram os dados para os pesquisadores norte-americanos.
Segundo o trabalho, publicado na revista “Drug and Alcohol Addiction”, a Salvia divinorum (não confundir com o tempero sálvia) faz efeito em até 30 segundos e mantém os usuários num estado de consciência bastante alterado por até oito minutos.
A descoberta pode não parecer grande novidade para os usuários da droga, mas deu bastante trabalho para os cientistas, já que o uso da erva Salvia é bastante globalizado, mas ainda não muito disseminado.
Fazer um estudo clínico em que a droga seja administrada deliberadamente, além disso, pode enfrentar uma série de barreiras, inclusive éticas.
“Ainda não há estudos na literatura médica que tenham feito isso de maneira tão precisa quanto o nosso”, disse o sanitarista James Lange, da Universidade Estadual de San Diego coordenador do trabalho.
“A maioria dos estudos publicados se baseou em relatos dos usuários e não em observações detalhadas”, completou ele.
Material e métodos
Para conseguir filmagens que não tivessem sido adulteradas e mostrassem a “viagem” da sálvia do início ao fim, o cientista se juntou a três colegas para assistir a mais de 3 mil vídeos no YouTube. Só 34 passaram no controle de qualidade.
“Só poderíamos fazer isso com uma droga como a sálvia, por causa da restrição do YouTube a vídeos de 10 minutos”, disse o pesquisador.
Lange reconhece que seu método não cobre alguns aspectos do uso da erva. “Sabemos que o YouTube só mostra as pessoas que se sentiram à vontade. Vídeos com experiências aterrorizantes ou perturbadoras provavelmente não seriam divulgados”, observa Lange.
Segundo o cientista, há pesquisadores correndo para preparar testes controlados da droga, estratégia que, no futuro, pode se tornar inviável, com muitos governos proibindo a droga. Restará, quem sabe, o YouTube.