Os portadores de autismo da cidade ganharam nesta semana um novo aliado para o tratamento do distúrbio. Não se trata de nenhuma inovação tecnológica, mas da Associação dos Familiares e Amigos dos Portadores de Autismo de Bauru (Afapab), que assumiu o compromisso de oferecer serviços essenciais para melhorar a qualidade de vida dos autistas e ajudar suas respectivas famílias a lidar com o problema.
As atividades, no entanto, só terão início a partir do mês que vem. Até lá, a entidade permanecerá com inscrições abertas a todos os interessados em usufruir gratuitamente do atendimento que será prestado por especialistas no assunto, entre eles terapeuta ocupacional, pediatra, psicóloga e psicopedagoga. Ao todo, serão oferecidas 40 vagas a crianças, adolescentes e adultos que já tenham a disfunção diagnosticada.
O prédio, localizado na rua Antônio Garcia, 6-50, no Jardim Nasralla, conta com três salas para as sessões com os profissionais, além de recepção, escritório, banheiros e um quintal com árvores frutíferas. “Nossa ideia é que essa área de natureza também possa ser utilizada como parte do tratamento”, adianta a assistente social Sílvia Helena Ferreira, presidente da entidade e mãe de Nicolas Gabriel, 7 anos, portador de autismo.
Foi dela que partiu a iniciativa de fundar a associação, já que sua experiência pessoal comprovou todas as dificuldades provocadas pelo pouco conhecimento que a maioria das pessoas tem sobre o distúrbio. Sílvia conta que o diagnóstico de Nicolas só foi fechado depois de a família consultar inúmeros médicos de diversas especialidades em Bauru, Botucatu e São Paulo. Mas nem por isso a peregrinação terminou.
Além da escola, o garoto recebe o acompanhamento de profissionais particulares, num custo que chega a R$ 3 mil por mês. Na cidade, os que utilizam o atendimento público recorrem à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Agora, com a Afapab, a ideia é ampliar o alcance deste serviço gratuito, com uma abordagem mais especializada e individualizada. “Nosso objetivo é que eles (autistas) possam ser mais independentes e que possam ser incluídos, com a ajuda dos pais e professores, na rede de ensino comum”, explica Sílvia.
Terapia familiar
Por esse motivo, a associação pretende realizar reuniões semanais com os pais, orientados por uma terapeuta familiar, para que eles aprendam a lidar melhor com a situação e, assim, passem a colaborar mais com os filhos na superação do problema. “Também haverá reuniões mensais somente com as famílias, para troca de experiências, o que ajuda muito principalmente para quem está convivendo há pouco tempo com o autismo”, salienta a presidente.
Sílvia não sabe precisar o número de autistas residentes em Bauru, mas cita que conhece ao menos 100 casos de pessoas portadoras da disfunção. Na Apae, até o ano passado eram atendidos pouco mais de 70 autistas e uma eventual demanda reprimida poderá ser canalizada para a Afapab.
Para tanto, a associação conta com a ajuda de empresários da cidade para manter em funcionamento toda a estrutura do prédio, assim como pagar os salários dos funcionários contratados. Mas como o auxílio ainda ocorre de maneira irregular, a entidade espera que outras empresas também se engajem no projeto.
Interessados em realizar doações ou inscrever parentes que tenham autismo para receber o atendimento gratuito podem obter informações pelo telefone 3223-2569 ou na sede da associação, de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 16h. Pais de autistas que quiserem colaborar financeiramente e participar da gestão da associação também podem entrar em contato.
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O que é
O autismo é um distúrbio do desenvolvimento humano estudado há décadas, mas também cercado por divergências e incógnitas. A neurociência ainda não explicou suas causas. Trata-se de uma síndrome sem cura, definida por alterações presentes desde idades muito precoces, tipicamente antes dos 3 anos, que se caracteriza sempre por dificuldades na comunicação e na interação social.
Os diversos modos de manifestação do autismo também são designados de espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas do distúrbio. Entre os relatados como mais comuns, no entanto, estão a dificuldade de relacionamento com outras crianças, pouco ou nenhum contato visual, inapropriada fixação em objetos, perceptível hiperatividade ou extrema inatividade, insistência na repetição de movimentos ou hábitos, resistência à mudança de rotina, acessos de raiva e agitação em locais com grande concentração de pessoas ou barulho. Vale ressaltar, porém, que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, que variam em frequência e intensidade, indo de leve a grave.