A correria impede de almoçar em casa ou passar horas em frente ao fogão. Contudo, a tendência é de que o brasileiro, de acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) sob encomenda da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Secretaria do Estado da Agricultura, cada vez mais busque aliar a conveniência com qualidade não só de fabricação do produto mas também a quesitos nutricionais.
Essa preocupação, diz o estudo, anda de mãos dadas com o aumento da preferência por industrializados, como iogurtes (32%) ou bolachas (28%), apesar do feijão com arroz continuar como carro chefe na padronização da alimentação nacional.
A junção sabor/praticidade/qualidade mobiliza a indústria, com a participação de representantes de fabricantes alimentícios nacionais e multinacionais no encontro promovido nesta semana pela Fiesp, em São Paulo, quando foram apresentados os resultados da pesquisa, que comprova o grau de exigência do consumidor e respectiva atenção do setor empresarial em aliar comodidade a produtos mais saudáveis.
“Há a preocupação com a qualidade, alguns alimentos têm melhora no conteúdo. Não basta ser apenas o mais bonito ou gostoso para vender”, constata a nutricionista Rita Cristina Chaim, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC), em Bauru. “Haverá uma hora em que chegaremos ao ponto de equilíbrio”, confia.
Para Rita, o elevado grau de consciência do consumidor, principalmente sobre os efeitos na saúde sobre determinado alimento industrializado, faz com que os fabricantes se mexam para melhorar o índice nutricional dos produtos. “Ninguém mais se vê doente aos 60 anos e a indústria se adequa a essas preocupações”, acentua a nutricionista.
Correria x tradição
Para quem mora sozinho, o “paraíso das comidas congeladas” nos setores específicos do supermercado atualmente são um prato cheio. Apesar disso, é possível conjugar uma alimentação com certo valor nutricional com os enlatados.
É isso que faz Fernando Luiz Medina Leonardo, de 28 anos, que mora sozinho e diz consumir diariamente congelados. “É a correria do dia a dia. Como muito fora ou acabo apelando para os semiprontos”, alega. “Mas sempre tento fazer um arroz com uma salada junto. Me preocupo bastante com isso”, afirma.
Contudo, morar sozinho ou, no caso dos mais jovens, longe da figura dos pais, que, tradicionalmente, controlam a alimentação dos filhos, significa apelar para os semiprontos.
Mesmo com as tendências apontadas pela pesquisa do Ibope sob encomenda da Fiesp, os industrializados nem sempre dominam a mesa dos que seriam um dos principais públicos alvo da indústria alimentícia, os estudantes.
Na república onde mora o universitário Ricardo Castilho Zanluchi, por exemplo, o cardápio, quase sempre, é de comida caseira. “Não sou muito chegado a esse tipo de alimentação”, diz. “Eu mesmo cozinho, é mais gostoso e mais barato”, opta o estudante, que divide despesas, e a limpeza da louça, com outros três colegas.
• Serviço
A pesquisa completa é dotada de 176 páginas e está disponibilizada para consulta na Internet, através do link: http://www.brasilfoodtrends.com.br/Brasil_Food_Trends/index.html.