Ontem, a embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Viotti, se recusou a revelar qual será a posição do país. Mas o Brasil, que não quis participar da negociação do texto, nunca escondeu sua insatisfação com a resolução.
Anteontem, turcos e brasileiros convocaram reunião às pressas para que houvesse um “debate político” sobre a questão.
Diplomatas favoráveis às sanções expressaram impaciência com a atitude. Pelos corredores da ONU, afirmavam tratar-se de uma tentativa de adiar a votação.
Em discurso ontem, em Nova York, Viotti reafirmou que o Brasil “reconhece que ainda há questões pendentes muito importantes a serem resolvidas (quanto ao programa nuclear iraniano)”. Mas disse só ser possível lidar com elas “em uma atmosfera de menos desconfiança e mais cooperação”.
“Todos queremos que Teerã esclareça as dúvidas legítimas da comunidade internacional com relação a suas atividades nucleares atuais e passadas”, afirmou. “A discordância entre alguns de nós, portanto, não é sobre os fins que perseguimos, mas os meios para alcançá-los.”
Viotti voltou a defender que os membros do conselho considerem o acordo que Brasil, Turquia e Irã anunciaram em 17 de maio.
Na declaração conjunta, o Irã se dispõe a entregar à Turquia 1.200 kg de urânio pouco enriquecido em troca de 120 kg de urânio enriquecido a 20%, para aplicação em pesquisas médicas.
Irã e Rússia
Em Istambul, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, alertou a Rússia para “não ficar ao lado dos inimigos do povo iraniano”. Ele participou na Turquia de uma cúpula junto ao primeiro-ministro russo, Vladimir Putin (leia ao lado). Putin por sua vez disse que encontraria Ahmadinejad ainda ontem, e prometeu que as sanções não serão excessivas.
“Teremos uma oportunidade de discutir esses problemas se o meu colega iraniano tiver tal necessidade’, disse ele, acrescentando que não haverá obstáculos ao ‘desenvolvimento da energia nuclear pacífica do Irã.”
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Sanções serão mais duras, diz Hillary
Quito - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou ontem que a quarta rodada de sanções no CS da ONU, são as mais duras que o país já enfrentou.
Perguntada se a possibilidade de dois ou três votos contra as sanções serem interpretados como um fracasso para os Estados Unidos, Hillary disse a repórteres: “Eu não irei comentar algo que ainda não aconteceu. A votação está marcada para amanhã (hoje)”.
“Estas são as sanções mais significativas que o Irã já enfrentou”, disse. “A quantidade de unidade que foi gerada pela comunidade internacional é muito significativa”.
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Teerã anuncia que não vai negociar caso sofra sanções
Istambul - Após o anúncio de que uma quarta rodada de sanções ao Irã pode ser votada hoje no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o país deixou claro que caso as punições sejam aprovadas, não aceitará novas discussões e se negará a negociar sobre seu polêmico programa nuclear.
As declarações do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad foram feitas ontem em Istambul, na Turquia, onde participa de um fórum sobre segurança na Ásia. “Já disse que a administração americana e seus aliados se equivocam se acham que podem esgrimir a ameaça de uma resolução e depois sentar à mesa para negociar conosco. Isso não vai acontecer”, afirmou Ahmadinejad.
O líder iraniano pediu às potências ocidentais que aceitem o acordo elaborado entre o Irã, a Turquia e o Brasil sobre uma troca de combustível nuclear em território turco, afirmando que se trata de uma oportunidade única.
Ahmadinejad deixou claro que o país está disposto a discutir detalhes sobre o acordo tripartite assinado há cerca de um mês e que o pacto é uma “oportunidade única”. “Este acordo é uma oportunidade para o governo americano e seus aliados. Espero que a utilizem bem. As oportunidades não se repetirão. Discutiremos com todos, exigindo respeito e justiça.”
No entanto, caso as potências, incluindo a Rússia e a China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, optem pelo caminho das sanções, a República Islâmica será inflexível. “Se tentarem falar conosco de maneira brutal, com um tom de dominação, já conhecem nossa resposta”, declarou o presidente do país.