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Crotalaria: alerta para o desequilíbrio

João Carrara
| Tempo de leitura: 2 min

Várias cidades têm recomendado o plantio de diversas espécies de crotalária, em particular a Crotalaria juncea, uma vez que essa atrai diferentes espécies de libélulas que, por sua vez, são predadoras de larvas de insetos. Embora as espécies animais e vegetais possuam, na sua maioria, grande plasticidade fenotípica e adaptação a diferentes ambientes, faz-se importante lembrar que cada espécie é característica de uma dada região e, por conseguinte, faz parte da teia alimentar desta. Então é preciso conhecer o potencial biológico de cada espécie, bem como seu modo de vida. A libélula é um inseto predador, que possui vários estágios de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e adulto. A fase larval é aquática e requer condições especiais para suportar os até 5 anos nesta condição – água límpida é uma das principais condições. Existem mais de 5000 espécies de libélula no mundo e cerca de 1200 estão no Brasil. Destas, 5 espécies já estão em risco de extinção. Isso tem que ser levado em conta! Como predadora, tanto na fase larval quanto na fase adulta, tem potencial para se alimentar, entre outras, de larvas de Aedes. Porém, as espécies de mata são diferentes da espécie veiculadora da dengue, que está adaptada à vida urbana e a recipientes artificiais para reprodução. Quando se desloca uma população, seja ela de qual reino for, tem de ser cauteloso: a natureza responde, na maioria das vezes, com forças opostas, diferentes das previsões que fazemos. Da mesma forma, temos de raciocinar em relação à crotalária. É bom lembrar que a crotalária é uma leguminosa arbustiva, utilizada para repor nitrogênio no solo (adubação verde), própria da região tropical, embora se desenvolva bem em solos pobres, como o do cerrado. As suas flores atraem libélulas para a sua polinização. Por esse motivo, “deslocam-se” populações que acabam por ocupar um nicho ecológico já ocupado no novo ambiente e isso poderá ser prejudicial se não houver um estudo rigoroso e científico, bem como um monitoramento das áreas em questão. Diferentes instituições devem, a meu ver, elaborar projetos neste sentido, sob a responsabilidade de profissionais habilitados e, comprovada a eficácia, publicada e discutida pela comunidade científica, divulgar tais resultados e propor uma política ambiental de ação. Em Bauru há três cursos superiores de Ciências Biológicas com pesquisadores responsáveis e comprometidos com essas questões. Seria interessante um trabalho de parceria.

O autor, João Carrara, é biólogo

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