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Fogo destrói grande área de mata no Rio

Talita Figueiredo
| Tempo de leitura: 3 min

Rio de Janeiro - Um incêndio atingiu cerca de 40 mil metros quadrados, o equivalente a quatro campos de futebol, da encosta do Morro dos Cabritos voltada para a Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio, uma área de proteção ambiental.

O fogo, que teria sido causado pela queda de um balão, começou por volta das 22h de anteontem e assustou moradores do entorno. Ninguém ficou ferido, mas muitas pessoas saíram de suas casas durante madrugada por causa da fumaça e da fuligem.

Os últimos focos só foram apagados no fim da manhã de ontem, mas à tarde apareceram labaredas na encosta do outro lado do morro, em Copacabana.

Foram acionados bombeiros de seis quartéis, que precisaram retirar água da lagoa para apagar o fogo, usando caçambas içadas por dois helicópteros. O forte vento à noite e a baixa umidade do ar dificultaram a ação.

O fogo podia ser avistado de pelo menos seis bairros da zona sul. Atingiu principalmente a encosta voltada para o bairro da Lagoa. No lado de Copacabana, próximo ao Hospital São Lucas, moradores capinavam a mata, com o objetivo de prevenir que uma propagação do fogo atingisse a unidade e prédios do bairro.

Pela manhã, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) visitou o parque da Catacumba, área de lazer na lagoa próximo ao local onde os bombeiros trabalhavam, e anunciou que amanhã a Secretaria Municipal de Meio Ambiente colocaria em prática um “plano emergencial de reflorestamento na área atingida”. Depois, ele sobrevoou a área atingida. “Quero chamar a atenção das pessoas sobre essa brincadeira sem graça que é soltar balões, porque devasta áreas verdes e põe em risco aeronaves. É crime soltar balões. Quero apelar para que as pessoas denunciem”, disse.

O secretário Estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, acompanhou o trabalho dos bombeiros durante a madrugada e também criticou a prática de soltar balões. “É lamentável ver um cartão-postal atingido dessa forma, mas tenho certeza de que os órgãos de investigação competentes irão apurar as causas e punir os responsáveis com o rigor necessário”, disse.

Policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente estiveram hoje no morro para começar a investigação sobre o incêndio. O Corpo de Bombeiros fornecerá laudos para ajudar na apuração. Até o fim da tarde de ontem, bombeiros continuavam atuando em diversos pontos do morro, principalmente por causa do vento e do tempo seco que aumentavam a chance de novos focos aparecerem.

Revolta

O incêndio tirou o sono de muitos moradores da Lagoa, na zona sul do Rio, que saíram de suas casas de madrugada com medo do fogo e incomodados pela nuvem de fumaça. “Tinha gente com medo, tinha gente revoltada, as emoções eram muitas.

A maioria ficou na rua até as 4h, quando o grosso do fogo foi debelado pelos bombeiros”, disse Solange Schvartzer, moradora da Chácara Sacopã, um dos condomínios de alto padrão onde os bombeiros entraram para usar a rede de água e ter acesso ao morro. “O Rio é uma grande Mata Atlântica, é um lugar que não pode ter balão. Imagina se caísse numa favela, quanta gente ia morrer?”, disse.

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