Bocaina – O dia de São João Batista é comemorado hoje com o ritual de fiéis católicos atravessando descalços o braseiro sobre a fogueira montada em frente da praça da Matriz em Bocaina (69 quilômetros de Bauru). A tradição é repetida há 119 anos. Após a badalada do sino da igreja à meia-noite, eles recebem bênção do padre da cidade, fazem orações e pedidos e cruzam andando lentamente sobre a fogueira, de três metros de comprimento e dois de largura, em demonstração de fé, no dia do santo católico, padroeiro de Bocaina.
A fogueira, cuja travessia de fiéis provavelmente seja única no País, atrai anualmente cerca de 10 mil visitantes para acompanhar o evento, organizado por uma comissão da Igreja Católica e da Prefeitura do município.
O “tapete” de brasas de três metros de comprimento por dois de largura não assusta Paulo César Camargo, o “Paulino”, 22 anos, operário de indústria de couro de Bocaina, que atravessou descalço a fogueira no ano passado e em 2007. Ele garante que não teve os pés queimados e promete repetir a façanha este ano.
O operário cruzou a fogueira para pagar duas promessas e garante que teve pedidos atendidos pelo santo São João Batista.
Ele fez novo pedido - reservadamente ele conta que é o de reatar com sua namorada - e enfrentará novamente o calor latente e infernal das brasas.
Em 2009, 12 pessoas atravessaram a fogueira de São João. Quatro delas tiveram queimaduras e foram levadas de ambulância da prefeitura para a Santa-Casa de Misericórdia.
Este ano, a expectativa continua sendo a de que muitos fiéis atravessem a fogueira. Nunca, em 119 anos, deixou-se de passar sobre o braseiro.
“Todo ano é aquela expectativa e ansiedade. E se ninguém enfrentar a fogueira, acaba a tradição? É, porque não se tem garantia e nem ficha de inscrição antecipada de fiéis. É tudo feito na hora. Mas, tenho confiança que novamente vamos ter fiéis cruzando o braseiro, mantendo nossa tradição”, afirma o prefeito de Bocaina, João Francisco Bertoncello Danieletto (PV).
Os funcionários operacionais da Prefeitura de Bocaina Sabino Bispo de Santana e Luiz Carlos Sega, o Luizão, são os responsáveis para montar e acender a fogueira.
O ritual começa pela manhã ao buscar a madeira - o angico - com o caminhão da prefeitura nas fazendas do município. Eles contam que nem conseguem dormir na noite anterior, por ansiedade de acender a fogueira.
Sabino e Luizão garantem que a madeira angico é a melhor para a fogueira. E é escolhida “a dedo” e deixada em frente à matriz de São João desde às 12h do dia 23. “O angico deixa a brasa mais vermelha e a fogueira mais bonita”, dizem eles. A madeira é cortada milimetricamente em pedaços de dois metros de comprimento.
Às 18h, Sabino e Luizão começam a montar a fogueira. Os pedaços são colocados um sobre o outro em forma quadrada e alcança dois metros de altura. Logo em seguida, molham a fogueira com óleo querosene e ateiam fogo. Os dois operacionais municipais começam a espalhar o braseiro às 23h30.
A passagem dos fiéis pela fogueira começou em 1891 na fazenda Santana, que deu origem a Bocaina, e até os final dos anos 40 era realizada na zona rural do município.
A Prefeitura preparou um esquema especial para receber os turistas hoje. Barracas na entrada da cidade orientarão os visitantes. A cidade praticamente dobra de população neste dia. Bocaina possui 11.075 habitantes.
No dia 23, na praça da matriz haverá telões para que os turistas possam ver a passagem dos fiéis pela fogueira e shows musicais.
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Encontro de prefeitos será na cidade
O município de Bocaina também será sede hoje da 3ª reunião do ano da Associação dos Municípios do Centro do Estado de São Paulo (Amcesp) composta de 37 cidades da região a partir das 20h. No encontro serão discutidos problemas enfrentados pelas prefeituras e elaboradas propostas para serem encaminhadas aos pré-candidatos ao governos do estado e federal.
Após a reunião, os prefeitos vão ser convidados para assistir à passagem da fogueira de São João na praça da Matriz.
Fazem parte da Amcesp: Agudos, Araraquara, Arealva, Areiópolis, Avaí, Bariri, Barra Bonita, Bauru, Boa Esperança do Sul, Bocaina, Boraceia, Borebi, Brotas, Conchas, Dois Córregos, Gavião Peixoto, Iacanga, Ibitinga, Igaraçú do Tietê, Itaju, Itápolis, Itapira, Itapuí, Jaú, Lençóis Paulista, Macatuba, Mineiros do Tietê, Pederneiras, Reginópolis, Rincão, São Manuel, São Pedro, Santa Maria da Serra, Tabatinga, Torrinha e Trabiju.