Gaza - O movimento palestino Hamas acusou ontem o premiê israelense Binyamin Netanyahu de mentir sobre uma troca de prisioneiros para conseguir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, há quatro anos em poder do grupo que controla a Faixa de Gaza.
“Deram seu consentimento para uma importante troca (de prisioneiros), mas mudaram de opinião por uma razão primária de politicagem, a fim de salvar a unidade de seu governo”, disse Mahmud Zahar, um do chefes do Hamas em Gaza.
Em dezembro passado, o Hamas e o governo israelense estiveram próximos de alcançar um acordo, mas surgiram divergências entre os principais ministros de Netanyahu sobre alguns nomes da lista de prisioneiros palestinos e sobre as condições para aumentá-la. Desde então, Israel e Hamas se acusam mutuamente pelo fracasso das negociações.
Na semana passada, Netanyahu fez um discurso televisionado no qual disse estar disposto a trocar mil prisioneiros do grupo islâmico palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, pela libertação de Gilad Shalit.
O premiê, contudo, alertou que há um limite no que Israel está disposto a ceder e ressaltou que os prisioneiros não incluirão os mais perigosos. Shalit foi sequestrado por comandos do Hamas, dos Comitês de Resistência Popular e de um desconhecido Exército Islâmico em 25 de junho de 2006, durante uma operação do Exército israelense.
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Captura
Gaza - Quando capturado, Gilad Shalit era cabo e tinha 19 anos. Ele foi promovido a sargento durante seu sequestro e estaria em alguma parte da Faixa de Gaza, dominada pelo Hamas desde 2007, quando o secular Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, foi expulso do território à força.
Com a mediação de Egito e Alemanha, o acordo avançou poucos passos. O Hamas chegou a divulgar recentemente o primeiro vídeo de Shalit no cativeiro. No passado, diálogos tinham rendido apenas o envio de algumas cartas e um áudio.
“Todos queremos Shalit de volta, mas a nação não poderá pagar qualquer preço, já que experiências passadas mostraram que muitos palestinos libertados voltaram a atacar israelenses”, disse Netanyahu, pressionado por uma campanha renovada da família de Shalit nas ruas de Jerusalém.
O enviado dos Estados Undisos ao Oriente Médio, George Mitchell, acusou o Hamas na última quarta-feira de “comportamento desumano e inaceitável” em relação a Shalit.