Preocupado com a falta de estrutura dos aeroportos, o que classificou como principal problema do Brasil para a Copa do Mundo-2014, Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local (COL) para o Mundial, disse ontem, em entrevista coletiva em Johanesburgo, que a intenção é de dividir o país em quatro grandes regiões para o torneio.
“Existe uma ideia de dividir o Brasil em quatro, para podermos evitar que haja grandes deslocamentos de seleções e torcedores de um lado para o outro, pelas distâncias que nós temos dentro do país, mas ainda não definimos como isso será feito”, disse Ricardo Teixeira.
Dessa forma, os organizadores acreditam que seria mais fácil adequar a estrutura de transporte aéreo às necessidades que envolvem a realização de uma Copa do Mundo, principalmente num país de grande extensão territorial e de enormes distâncias entre algumas cidades-sede, como é o caso do Brasil. “Realmente estamos estudando a possibilidade, mas ainda não definimos nada. Só chegaremos a uma decisão quando voltarmos ao Brasil”, declarou Teixeira.
“Há um plano do governo que já está bem adiantado sobre a mobilidade urbana. Há menos de dois meses foi feita a aprovação de uma verba para os aeroportos que têm maiores problemas. Os três grandes problemas que temos para a Copa-2014 são, inegavelmente, aeroporto em primeiro, aeroporto em segundo e aeroporto em terceiro”, completou o dirigente.
Teixeira também falou sobre os estádios, que, em sua opinião, já estão em melhor situação do que a questão aeroportuária. O mandatário da CBF comentou especificamente os casos de Curitiba, que ainda está com problemas, e o de Minas Gerais, como exemplo de projeto encaminhado. “Alguns Estados já começaram. Ontem, Brasília determinou o valor a ser gasto nas obras até dezembro, está dentro do projeto. Minas Gerais está bem. Temos o problema de São Paulo. E também uma certa dúvida em relação a Curitiba, pois o estádio tem problemas na parte financeira. Ainda estamos na África e não recebemos o relatório final. Depois vamos fazer a avaliação de todos os relatórios para ver o que se configura como problema ou não.”
Lula
Anteontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o fato de o presidente da CBF ficar por tanto tempo no cargo e sugeriu uma rotatividade de oito anos, como fez quando presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo - Teixeira está no cargo desde 1989. Ontem, Teixeira foi conciso, mas respondeu: “Respeito democraticamente o que o presidente Lula acha das eleições [para a presidência da CBF], apesar de discordar”.
Técnico
O novo técnico da Seleção é um assunto que o presidente Ricardo Teixeira evita ao máximo. Durante o evento ontem, o mandatário da Confederação Brasileira de Futebol se recusou a falar sobre o substituto de Dunga. Teixeira seguiu o cronograma à risca e se negou a projetar até a programação da Seleção Brasileira nos próximos anos, já que não disputará as Eliminatórias Sul-americanas por ser a sede.
Romário
Famoso por declarações polêmicas e provocações, o ex-atacante Romário adotou um perfil diferente ontem, durante evento de lançamento da logomarca da Copa do Mundo de 2014. Trajando terno e gravata, o Baixinho seguiu o padrão de um dirigente ao analisar as melhorias que o Brasil terá por sediar o torneio. “Tenho certeza de que o Brasil será bem diferente e melhor em 2014. Quem tiver a oportunidade de ir para lá vai se apaixonar mais do que antes. Estamos bastante esperançosos e felizes. Vamos realmente mostrar nossa cara, quem realmente o Brasil é. E 2014 vai deixar um legado para o país”, afirmou.
A presença de Romário serviu também para amenizar a falta de Pelé, que chegou a ser dado como certo no evento, mas não compareceu. De acordo com informações da CBF, um problema de agenda impediu a presença do Rei na cerimônia em Johanesburgo.
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São Paulo está ‘perto do limite’, diz Teixeira
A Confederação Brasileira de Futebol quer uma definição rápida da cidade de São Paulo em relação à Copa do Mundo de 2014. Durante evento ontem, em Johanesburgo, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, colocou a capital paulista como ponto mais preocupante entre as sedes, apesar de ter se mostrado receoso também com Curitiba.
Teixeira se encontrou com o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, na quarta-feira, mas ainda não ouviu a alternativa ao estádio do Morumbi, que foi excluído pela CBF do cronograma. O mandatário quer se reunir com Kassab e o governador Alberto Goldman até o fim deste mês, provavelmente entre os dias 19 e 20.
“Teremos a definição se São Paulo pretende realmente fazer a abertura ou só participar da Copa, pois o prazo está afunilando. Eu diria que estamos perigosamente perto da data limite. Este problema de São Paulo precisa ser resolvido o mais rápido possível”, afirmou.
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Brasil lança emblema oficial e Lula promete transparência
Três dias antes da decisão do Mundial da África do Sul entre Espanha e Holanda, o Brasil deu o pontapé inicial para a Copa do Mundo-2014. Ontem, o país apresentou oficialmente o emblema do próximo Mundial. O evento, realizado em Johanesburgo, na África do Sul, foi apresentado pelos atores brasileiros Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima.
A festa de lançamento oficial do emblema mostrou um vídeo com as belezas naturais do Brasil e as principais festas que são realizadas no país, como o Carnaval e o Ano Novo. No entanto, contrastes como violência e outras preocupações que afetam o povo brasileiro não foram citadas. O evento também contou com a presença de grupos musicais brasileiros, como Bossacucanova e Barbatuques.
O primeiro a discursar foi o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador da Copa do Mundo-2014), Ricardo Teixeira. “Hoje estamos aqui juntos em Johannesburgo para dar o primeiro passo de uma jornada. Uma jornada que nos levará para o Mundial de 2014 no Brasil”, declarou o dirigente para acrescentar na sequência: “A Copa no Brasil será uma celebração impecável e inesquecível. Todos os povos estão convidados para participar do Mundial”, completou.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, também participou do lançamento oficial do emblema. “O Brasil é o país do futebol. Não existe um país no mundo que se identifique mais com o futebol do que o Brasil. O futebol no Brasil é uma religião”, disse Blatter, lembrando que a única vez que o Brasil sediou o Mundial foi em 1950. O presidente da Fifa também citou que a última vez que a América do Sul realizou a competição foi na Argentina-1978.
Na sequência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a Copa 2014. “É uma grande responsabilidade, mas estamos confiantes. Os brasileiros gostam de desafios. O país cresce e se desenvolve”, disse o dirigente, citando também a economia do País e a transparência na organização do evento. “Em 2014, teremos uma economia ainda mais relevante. O Mundial terá o máximo de transparência. Os gastos poderão ser acompanhados pela Internet por qualquer pessoa. Queremos deixar um legado para ajudar na condição de vida do nosso povo”, acrescentou Lula.