As férias estão descritas nos dicionários como dias de repouso, descanso. Mas a expectativa em aproveitá-la intensamente pode transformar-se numa armadilha e resultar até em estafa. Casos dessa natureza, inclusive, são comuns. Geralmente, o turista esquece de ‘detalhes’ como diferença de fuso horário e jet lag (fadiga de viagem), por exemplo.
“Até o corpo se adaptar pode demorar. Ele tem uma disposição maior ao frio, ao calor, à bebida alcoólica. Tudo isso aumenta o risco de algumas doenças”, destaca o infectologista Marcelo Nóbrega Litvoc. Segundo ele, uma outra desatenção também pode resultar em sérios problemas. Como a maioria das pessoas fica mais preocupada em apreciar as novas paisagens, está mais sujeita a quedas e atropelamentos.
“É muito comum acidente automobilístico. As leis de trânsito, em alguns locais, são diferentes. Apesar de no Brasil ser confuso, existem países piores e as pessoas ficam desatentas”, reitera o médico. As belezas naturais também podem sair do foco diante de um eventual acidente em meio a uma trilha. De acordo com Litvoc, em caso de trauma, o atendimento inicial é fundamental.
“Em locais de difícil acesso, orientamos algumas medicações e alguns cuidados que podem ser tomados. Por essa razão, é sempre importante o turista ser bem orientado antes de viajar”, recomenda. Junto com outros profissionais médicos, o infectologista presta consultoria na área de medicina do viajante. Por intermédio do endereço www.medicinadoviajante.com.br é possível identificar os principais riscos de cada país.
Recomendação
Por conta do reduzido espaço entre as poltronas, o passageiro que permanece longo período imobilizado corre o risco de ser acometido pela ‘síndrome da classe econômica’ na viagem aérea. Para evitá-la, o infectologista Marcelo Nóbrega Litvoc recomenda exercícios durante a viagem.
“É importante a qualquer um que levante da cadeira várias vezes durante os voos mais longos. Que faça alongamentos e exercícios. Ao permanecer um longo tempo imobilizado, pode haver risco de trombose de veias nos membros inferiores. Esse trombo, por azar, eventualmente pode fazer uma embolia pulmonar. É raro, mas pode acontecer”” explica.
Por essa razão, quem já tem problemas vasculares, deve procurar o médico com antecedência para adotar algumas medidas preventivas, inclusive por meio de medicamentos.
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Petiscos devem ser vetados às crianças
Se para o adulto já é difícil resistir aos petiscos servidos na praia, para as crianças é quase impossível. O ideal, no entanto, é aguentar a choradeira e impedir que elas degustem alimentos de procedência desconhecida. A orientação é da pediatra Lucia Bricks, diretora-médica da Sanofi Pasteur.
Ela recomenda às famílias que levem a própria alimentação. “Ainda assim tem que tomar cuidado com a temperatura e conservação. Comer na praia ou na rua nem pensar, ainda mais com criança”, reitera. De acordo com Bricks, ao escolher um restaurante, é importante atenção ao padrão de higiene.
Vários outros cuidados devem seguir com quem vai viajar acompanhado por crianças. A atenção, inclusive, deve ser redobrada. Não são raros casos de afogamento em piscinas e praias. Antes de chegar lá, porém, o roteiro deve ser estudado para evitar surpresas desagradáveis durante os dias de férias. “Quem vai viajar para o Sul, onde está bastante frio, deve evitar ambientes fechados e aglomerações, onde existe chance maior de transmissão de vírus e bactérias. Se estiver num local muito quente, a orientação também é procurar ambientes abertos”, orienta a médica.
O período das 10h às 14h, no entanto, deve ser evitado por crianças e adultos. Neste horário, além dos riscos com câncer de pele, o turista fica vulnerável a eventual desidratação. “São cuidados que a gente sempre tem que reforçar”, informa. As sugestões são necessárias porque ao mudar de ambiente e diante da expectativa da viagem, a criança pode sofrer queda na imunidade. “Isso é bastante descrito, embora no Brasil não tenhamos dados específicos”, pondera. Ainda assim, para minimizar o problema, a pediatra recomenda aos pais que respeitem o horário de sono de seus filhos.
No caso de eventuais alergias, Bricks chama atenção inclusive para os protetores solares. “Alguns não são apropriados para crianças. Deve-se preferir os antialérgicos, também em relação aos repelentes. Os sem cheiro, inclusive o de tomada, são muito sensibilizantes. Se a criança é alérgica, aquilo é venenoso”, destaca. Os pequenos alérgicos também devem evitar alimentos com corantes e conservantes, como deve fazer em casa.
“Em relação à medicação, é sempre bom consultar o pediatra. Ele conhece a criança e vai orientar de forma mais apropriada. O mais importante é ter a vacinação em dia”, finaliza.
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Casos importados já somam 125 em Bauru
Bauru tratou de 125 casos de doenças importadas, de 2007 até a semana passada. A grande maioria (116) de dengue, outros nove casos de malária – contraída no Amazonas, Ilha Comprida e Angola, por exemplo. Mas o número de viajantes acometidos por problemas de natureza semelhante deve ser muito maior, já que grande parte dos problemas de saúde provoca sintomas leves e não são de notificação compulsória.
“A saúde do viajante sempre preocupou do ponto de vista das doenças mais graves, transmissíveis, contagiosas”, explica o infectologista Fernando Monti, titular da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru. De acordo com ele, é pequeno o volume de doenças dessa natureza que merecem preocupação da saúde pública. A gripe suína (H1N1) é uma delas.
“O primeiro e segundo caso que tivemos em Bauru, no ano passado, tinham conexão com viagem, eram importados. Mas a epidemia não eclodiu a partir deles. Pode ter sido trazida por alguém de fora que não tinha relação com eles”, informa o secretário.
Repelente e vacina
O ortodontista Rafael Pinelli Henriques viaja a negócios pelo menos duas vezes ao mês. Proprietário de uma escola de pós-graduação para dentistas, sabe que o ritmo de trabalho provoca desgastes. Por conta da situação, às vezes se depara com sintomas de gripe ao seguir para as unidades situadas em Campo Grande, Rondonópolis, Ji-Paraná, Rio Branco e Paraná.
Para evitar problemas, ele se vacinou contra a gripe H1N1 e contra a febre amarela. Também utiliza inseticidas e repelente. Já quando viaja para o exterior, não se esquece do seguro. Da última vez que esteve nos Estados Unidos, no início do ano, chegou nauseado, mas não precisou acioná-lo.