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Mercado mundial tenta definir regras


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O mercado mundial de cosméticos está tentando definir regras globais para os orgânicos. As soluções, que as empresas adotaram no mundo inteiro, foram regionais tentando atender as necessidades dos consumidores e isso não ficou harmônico para todo mundo. “Um produto cosmético orgânico europeu não necessariamente segue as mesmas regras do brasileiro e americano. O mercado nacional fica no meio dessa confusão. Aqui não está em vigor nem a legislação de agricultura dos orgânicos. Temos muito a caminhar em termos de regras”, ressalta o diretor da Associação Brasileira de Cosmetologia, Emiro Khury.

No mercado americano, a falta de definição ou regras regionais geram contradições ou pelo menos questionamentos, na opinião do pesquisador. “Cosméticos orgânicos diz respeito aos insumos e não deveriam ter em sua composição as substâncias químicas. No mercado americano é uma vergonha, porque tem muito produto com o rótulo de orgânico que tem silicone na formulação. Mas por que não colocar o silicone? Porque o processo industrial que gerou aquele insumo sintético compromete o meio ambiente? Eu acho que radicalismo é o que mais tem nessa área.”

Na opinião dele é preciso entender, com toda essa avalanche de informações, aquilo que é verdade e o que não é. Um ponto chave é esperar um pouco antes de engajar em determinados movimentos. “Há um movimento que acha que as substâncias sintéticas devem ser banidas. Se adotarmos isso vamos deixar de fabricar muitos produtos, porque não tem como.”

Sem legislação específica para cosméticos orgânicos, alguns fabricantes americanos adotam as normas ditadas pelo departamento de agricultura que já tem regras definidas, explica Khury. “Veja só que coisa interessante. Se eles adotam essa legislação, enganam o consumidor, porque produto derivado de agricultura orgânica não pode ter água. Água é fraude. Como vamos fazer xampu? Na formulação do produto tem que ter água para não danificar a cutícula. É fundamental para manter o equilíbrio fisiológicos dos fios de cabelo. A indústria americana de cosmético que quer produzir os orgânicos engana ou mente para o consumidor, se não tem que deixar de fabricar porque é proibido água,” diz.

Como no Brasil nem mesmo a legislação para produtos agrícolas está em vigor, algumas empresas se limitam a ter uma postura de sustentabilidade e não se arriscam a colocar um selo de orgânico. “Elas mostram que respeitam o meio ambiente, mas não usam selo, porque não existem regras universais. Existem as certificadoras francesa, americana, brasileira, sem harmonia entre elas. As empresas mais inovadoras estão visualizando que o Brasil é um mercado em expansão. O brasileiro está aprendendo a valorizar um produto obtido a partir de insumos da Mata Atlântica, mas que não destruiu a mata.”

Na opinião do pesquisador, há uma oportunidade de ouro para as empresas brasileiras se elas souberem fazer. “O que mais os empresários me perguntam é por que não existe lei específica. O brasileiro tem o hábito de dizer só faço aquilo que a lei me obriga e quando não me obriga, posso transgredir. Se a empresa brasileira souber valorizar a imagem do Brasil, como celeiro de produtos de insumos naturais orgânicos altamente eficiente para cosmético e provar que a sua obtenção não causa um impacto grande ao meio ambiente, podemos ser o grande mercado mundial de produtos naturais orgânicos do futuro.”

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