Madri - O tom conciliatório marcou a chegada à Espanha da primeira leva de prisioneiros políticos cubanos libertados após acordo do governo de Havana com a igreja. Mesmo após “sete anos de luta, clausura e cativeiro” na ilha caribenha, os sete dissidentes que aterrissaram hoje em Madri evitaram críticas ao governo castrista.
No lugar disso, agradeceram emocionados à “calorosa” acolhida espanhola e falaram em uma “nova etapa” para cubanos. Mas negaram ser “marionetes” de um jogo de interesses entre uma Espanha afoita por liderar as retomadas do diálogo entre Cuba e a União Europeia e uma Havana que quer o fim de bloqueios à ilha.
“Não nos consideramos manipulados. Somos apenas via de um caminho que pode ser o começo de uma mudança no país. E, para nós, o exílio é a prolongação de uma luta”, declarou hoje o jornalista Ricardo González, um dos sete cubanos que aterrissaram em Madri na companhia de 26 familiares no total.
Os outros são Léster González, Omar Ruiz, Antonio Vilarreal, Julio César Gálvez, José Luis García Paneque e Pablo Pacheco.
Dos 52 presos que, pelo acordo, serão liberados, só 20 afirmaram querer emigrar à Espanha. Os outros 32 ainda têm destino incerto.
O grupo foi recepcionado por membros do governo da Espanha e da Cruz Vermelha, que irão “inseri-los” na sociedade. Hospedados em um albergue na região norte da capital, receberam 390 euros para gastos gerais. Ficarão lá “pelos próximos dias”. Seu destino ainda é incerto, mas provavelmente serão enviados a conjuntos habitacionais fora de Madri, segundo a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado.