Trinta e cinco dias depois de o proprietário do bar Japa Lalá, Maurício Yamanoi, 41 anos, ser assassinado, a ex-esposa do comerciante, Érika Dimampera, 35 anos, decidiu fechar as portas do estabelecimento. O bar, que funcionou durante 13 anos no bairro Higienópolis, não abre desde o último sábado e, no domingo, foi colocado à venda.
Segundo Érika, um dos principais motivos para a decisão foram as lembranças tristes que permanecem impregnadas no local, palco da morte de Yamanoi, mais conhecido como Japa, e do também comerciante José de Nazaré Mendes, 72 anos, pai do proprietário do bar do Português. “Tudo no bar nos faz lembrar dele, então, é difícil. Além disso, os clientes antigos estão assustados e deixaram de frequentar o bar, porque também gostavam do Maurício”, pontua.
Para Érika, com a venda, o bar poderá ser reformado pelo novo dono e ganhar um novo nome, o que deve ajudar a diminuir as más impressões deixadas pela tragédia do último dia 8 de junho, quando o agente penitenciário Alexandre Zambonaro Gonçalves, 36 anos, invadiu o estabelecimento e disparou cinco vezes contra Yamanoi e Mendes, que tomava cerveja no local.
“Quem comprar certamente vai fazer uma nova pintura, mudar tudo, começar do zero mesmo, porque o bar acabou, vai ficar só na lembrança. Mas, independentemente disso, o Maurício vai ser sempre lembrado pelos amigos e pela família. Ele será eternamente o pai dos meus filhos e a pessoa querida que foi”, comenta.
Desde a morte de Yamanoi, era ela quem vinha tocando o comércio do ex-marido. Além da redução na clientela, a dificuldade em dar conta da nova responsabilidade e, ao mesmo tempo, exercer o papel de mãe e pai dos quatro filhos do casal - de 16, 13, 12 e 5 anos - pesou na decisão de encerrar as atividades do estabelecimento.
“Antes eu só cuidava de casa e tinha um outro bar, que estava arrendado. Minha vida mudou completamente depois da morte do Maurício. Meu telefone começava a tocar de manhã e só parava à noite. Tinha que fazer todas as compras do bar, pagar contas e cuidar de casa, da escola das crianças”, revela.
Prioridade
Enquanto Érika cuidava da parte administrativa do negócio, seu pai, Antônio Roberto Dimampera, 65 anos, que antes passava o dia em seu rancho em Pederneiras, teve de assumir o atendimento no balcão do estabelecimento. Pela falta de condições físicas e psicológicas de ambos, a mulher conta que, nesse período de pouco mais de um mês, tentou encontrar uma pessoa de sua confiança para assumir a gerência do bar, mas não obteve êxito.
“Não tinha como eu assumir tudo sozinha. Nem meu pai tinha. Não ia adiantar a gente continuar tentando fazer tudo, porque não íamos dar conta. Além do excesso de compromissos, estava mesmo difícil ficar lá naquele ambiente”, frisa.
E as múltiplas atribuições que vieram com o crime, segundo ela, coincidiram com um momento delicado para os filhos, que estão realizando acompanhamento psicológico por conta da morte do pai. “As crianças eram muito apegadas a ele e, justamente nesse momento, estava tendo que dar menos atenção a eles porque tinha que pensar no bar”, observa.
A venda do estabelecimento foi anunciada no último domingo no caderno de Classificados do Jornal da Cidade, mas Érika não divulgou o valor que pretende cobrar pelo prédio. Adiantou apenas que deseja vender o estabelecimento o quanto antes para poder cuidar da família. “Sei que eles precisam de mim e essa será minha prioridade agora”, conclui.