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Com 38 registros, Saúde está atenta a casos de meningite

Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 3 min

Bastante comentados ao longo da semana que passou, os casos de meningite registrados em Bauru foram minimizados pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Monti. Ele afirma que os diagnósticos confirmando a doença não estão acima do esperado e informou que os profissionais da área de Saúde foram instruídos para atentar sobre o quadro clínico característico da doença.

De acordo com Monti, foram verificados 38 casos de meningite em Bauru desde o começo de 2010, sendo que os mais recentes não tiveram relação entre si. “Tivemos cinco casos de quadros clínicos compatíveis com meningite. Nesses casos, em três deles foi feito o diagnóstico de meningite bacteriana e em dois desses de meningite meningocócica. Uma coisa importante, esses casos de meningite não tiveram relação entre si. Não foi uma transmissão de um para o outro”, afirmou o secretário.

Ele explicou que ao longo do ano casos de meningite são registrados normalmente. “Mas como tivemos dois casos de meningocócica, e esses casos foram em adultos jovens e um dos pacientes veio a óbito, registrado na semana passada, pedimos para os médicos redobrarem a atenção quando os pacientes se encaixarem no quadro clínico da doença”, frisa.

Monti disse que este alerta interno em relação à sintomatologia da meningite ajuda os médicos a realizar o diagnóstico e instituir medidas de controle mais rapidamente. “É uma ação preventiva. Não quer dizer que estejamos em um estado de anormalidade”, garantiu ao lembrar que o óbito registrado na semana passada foi o primeiro do ano em decorrência de meningite meningocócica. Analisando os outros tipos de meningite este número sobe para quatro no ano.

Exame

Consciente de que o público bauruense pode ficar um tanto receoso em relação ao quadro de meningite, o neuropediatra Plínio Ferraz pondera sobre a realização do exame para detectar se a pessoa está com a doença ou não.

Este teste é conhecido como estudo laboratorial completo do líquido cefalorraquidiano, que confirma o diagnóstico e o agente responsável pela doença. Entretanto, Plínio salienta que o exame é invasivo e deve ser evitado.

“O exame para checar se o paciente está com meningite implica na introdução da agulha no espaço raquidiano, da coluna. Então, você tira o líquor e analisa laboratorialmente. Não é toda dor de cabeça que a gente colhe o líquor”, declara.

O neuropediatra explica que o quadro da meningite implica em alguns sinais clássicos, como dor de cabeça, vômitos, febre e rigidez de nuca. “Também pode ter sensibilidade à luz, sonolência, confusão mental e até convulsões”, avisa o médico ao apontar a febre como principal ponto para diferenciar a meningite de outras doenças, especialmente enxaqueca. (Leia mais sobre a doença no quadro ao lado)

Por outro lado, Plínio cita que a detecção dos sintomas em bebês e crianças é mais complicada. Ele enumera que os bebês podem ter o abaloamento da moleira e as crianças tendem a recusar comida e vomitar bastante. “A tendência é o médico utilizar algumas manobras que possibilitam detectar rigidez, irritabilidade e, claro, presença de febre. Além de ter descartado outras infecções anteriormente, como pneumonia, otite ou infecções de ouvido que pudessem estar causando esta febre”, diferencia.

O médico chama a atenção também para a possibilidade de um quadro de infecção evoluir para meningite. “Uma infecção de ouvido ou de via aérea superior pode evoluir para meningite. Muitas vezes, a criança vai ao pronto-socorro com uma infecção de garganta que realmente é uma infecção de garganta. Mas depois de dois dias, houve uma complicação desta infecção e a criança passou a desenvolver meningite. Aí os pais podem confundir e imaginar que o médico errou o diagnóstico”, explica Plínio.

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