• As faces do debate
O embate verificado ontem na Câmara Municipal sobre o projeto de lei do vereador Roque Ferreira (PT) que pretendia fechar o comércio aos domingos se não houvesse acordo formal de trabalho entre comerciantes e comerciários evidenciou várias faces do Poder Legislativo. De quebra, esquentou a Casa e as discussões políticas e sindicais no dia mais frio do ano.
• Representações fieis
Roque, fiel à sua origem e coerente com sua conhecida representatividade sindical, reacendeu uma discussão sobre algo que de tempos em tempos volta à baila: o respeito aos direitos trabalhistas de quem trabalha aos domingos. Os demais integrantes da Câmara, também fieis às suas finalidades, que são as de legislar somente sobre os temas que a Constituição permite e representar um pensamento mais amplo e pluralista da cidade, rejeitaram o projeto.
• No lugar de origem
Assim, venceu a regra democrática - a propositura, o debate e a votação. De tudo, ainda fica a discussão sobre o que ocorre aos domingos na relação comerciante e comerciários. Certamente o Ministério Público do Trabalho e, acima de tudo, os sindicatos acompanharam atentamente a discussão na esfera política, que agora pode voltar ao seu devido lugar: a seara trabalhista.
• PT contra o PSDB
Roque e Marcelo Borges (PSDB) foram os protagonistas antagônicos do embate de argumentações sobre o polêmico projeto de lei, ontem. A discussão foi tamanha que ambos debateram até as políticas dos governos federais da era Fernando Henrique Cardoso, do lado tucano, e do atual governo Lula, pelo lado do petista. Nas galerias divididas, vaias e aplausos
• As frases do público
Logo após a abertura do uso da tribuna, a população presente começou a se manifestar. Teve gente que levou faixa pedindo descanso aos domingos, com os dizeres: “Vereadores, digam não à exploração”. Mas teve uma cidadã que gritou que queria trabalhar aos domingos, para garantir a comissão. “Quem vai pagar meu aluguel?”, questionou a moça.
• Panfletagem da CUT
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), liderada por seu dirigente regional Francisco Monteiro, distribuiu panfletos apoiando o projeto de Roque Ferreira. No impresso, a central chamou a atenção dos presentes ao Legislativo dizendo que domingo é dia de trabalhar apenas o afeto, o amor e o carinho, referindo-se ao convívio familiar.
• O 17º parlamentar
De tanto participar de reuniões e apresentar questionamentos aos vereadores, Pedro Valentim foi alvo de brincadeira da vereadora Chiara Ranieri (DEM). Ela chamou o frequentador assíduo das sessões de 17.º vereador da Casa, ao comentar cartas enviadas por Valentim à imprensa, regularmente.
• Delegacia de trânsito
Deu entrada na Câmara a Moção de Apelo do presidente da Câmara, Pastor Luiz, à Secretaria de Segurança Pública do Estado, Delegacia Geral de Polícia, ao Governo do Estado e ao Deinter-4 para a criação de uma Delegacia Especializada em Crimes de Trânsito em Bauru.
• Contra desajustados
No texto que explica a sua proposta, o presidente destaca que a legislação dos delitos de trânsito é muito liberal, “o que propicia alento aos desajustados no volante”. Citou reportagens do Jornal da Cidade que atestam a violência do trânsito nas ruas de Bauru.