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Ovo na porta facilita contaminação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

O local onde os alimentos são armazenados interfere na correta refrigeração dos mesmos e, consequentemente, no tempo de conservação.

Carnes, leite, queijos, iogurtes, por exemplo, que necessitam de um ambiente mais gelado, devem ficar na parte de cima, onde o ar é mais frio. Por outro lado, frutas, verduras e legumes, devem ser guardados na gaveta que fica embaixo, onde a intensidade do frio é menor.

A parte intermediária da geladeira pode ser reservada para colocar as sobras de comida, doces, maionese, manteiga e os ovos, entre outros itens. É isso mesmo, os ovos devem ser colocados na prateleira da geladeira, nunca na porta, como é costume.

Na porta só devem ficar bebidas (menos o leite), temperos e geleias, ou seja, produtos que não são tão sensíveis à variação de temperatura. Com o abre e fecha, da geladeira, os alimentos que estão na porta são os mais afetados pelo aquecimento porque ficam mais expostos à parte externa.

Quando são submetidos a essas variações, os ovos podem se transformar numa fonte de bactérias. Pela própria natureza, eles já chegam aos consumidores contaminados. O ovo é poroso, portanto, não é possível lavá-lo. Isso já lhe garante uma carga de bactérias. Se incorretamente armazenada, essa carga só tende a aumentar.

Por esse motivo, a nutricionista Maria Inês Maringoni Marques, diretora técnica do Serviço de Nutrição e Dietética do Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP), diz que o ideal é que os ovos sejam armazenados em ambientes refrigerados, desde a granja até a casa do consumidor, passando pelo supermercado. “O ovo não pode ficar exposto na prateleira, em temperatura ambiente. Isso facilita a proliferação de bactérias”, adverte.

Em 2008, o Ministério da Saúde divulgou o ranking dos alimentos que mais provocaram doenças desde 2000. Os ovos crus ou mal cozidos foram os primeiros. Tudo por causa da bactéria chamada salmonela. Depois, vieram as comidas que misturam presunto, queijo e massas, como lasanha e o misto-quente, seguidas de carnes vermelhas mal passadas. Quanto mais cru está o alimento de origem animal, maior o risco de intoxicação alimentar.

Outra medida importante, segundo Maria Inês, é observar a temperatura interna da geladeira. Em dias quentes ou quando a geladeira está cheia, deve-se regular o termostato para o mais frio. De acordo com a nutricionista, uma maneira fácil de notar se a temperatura está boa é verificar se os potes estão gelados. Se o motor da geladeira está demorando a desligar pode ser outro indicativo de que a temperatura interna está alta.

A borracha de vedação é outro item que interfere na refrigeração. Se ela estiver com folga é sinal de que não está conseguindo impedir a entrada do calor. O simples ato de colocar uma folha de papel presa na porta dá para ver se a borracha está com folga. Se a folha ficar firme é indicativo de que a borracha está boa.

Como a circulação de alimentos dentro da geladeira é intensa, ou seja, está sempre entrando e saindo produtos, um pouco de bactéria sempre fica. Em alguns casos, o que fica não é tão pouco assim. Por isso, a nutricionista Consuelo Simone Galina alerta para a necessidade de fazer a limpeza periódica da geladeira. Segundo ela, o ideal é que essa limpeza seja semanal. Mas fazer uma vez por mês é melhor que nada.

A limpeza deve ser feita com a geladeira desligada e, de preferência, quando houver pouco alimento guardado. Deve-se usar apenas água e sabão ou detergente neutro. O degelo também deve ser periódico. Segundo Consuelo, quanto mais gelo menor é a circulação de ar frio.

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‘Nada entra no armário sem limpeza’

Nada entra na geladeira ou no armário de Carmen Lúcia Tayar sem antes passar por um cuidadoso processo de sanitização. Desde o início dos anos 1980, quando começou a trabalhar em empresas alimentícias e a participar de cursos sobre higienização dos alimentos, Carmen passou a “viver” dentro de casa o que aprendeu fora dela.

Desde então, tudo o que ela traz do supermercado passa pelo pano umedecido em álcool ou pela solução de cloro. “Nada entra no meu armário sem que eu limpe com álcool”, afirma. O mesmo vale para a geladeira.

Antes de guardar as frutas, verduras e legumes, Carmen mantém esses produtos de molho em um derivado de cloro por cerca de 15 minutos. Depois, ela enxuga bem, coloca em potes e guarda na geladeira. O que é vendido em lata, ela tira e coloca em recipientes de vidro antes de levá-los à geladeira. Além de conservar melhor os alimentos, o vidro não oxida como o alumínio.

Carmen faz o mesmo com as embalagens de biscoito e bolacha. Quando ela abre uma delas, o que não é consumido naquele momento vai para os potes de vidro. A embalagem vai para o lixo.

Embora o técnico de segurança Roberto Morais Losilla não seja tão detalhista no cuidado com a limpeza dos alimentos que traz da feira e do supermercado, mesmo assim ele não descuida.

É ele quem normalmente faz as compras e guarda o que comprou. Nenhuma fruta vai para a geladeira sem ser lavada antes. Roberto não deixa lata aberta dentro do refrigerador. A sobra ele coloca em potes plásticos. No entanto, quando renova o estoque de iogurte para os netos, ele não tem o costume de lavar os potinhos. Do jeito que chega do mercado, vai para a geladeira.

Quando a lista de compra dele inclui itens que necessitam de refrigeração constante, como os próprios iogurtes, queijo, etc, Roberto volta direto para casa. Segundo ele, assim diminui o risco de variar muito a temperatura do produto e, com isso, alterar o sabor e facilitar a proliferação de bactérias.

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