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Censura e reforma política e partidária

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

A gritaria é geral quanto à aplicação, pelo TSE, de dispositivo legal aprovado pelo Congresso em 1997, que praticamente proíbe os programas humorísticos de alegrar o povão com suas críticas aos políticos que não se conduzem dentro das normas éticas que deveriam respeitar. Como sempre fui contrário à censura, entendo que quem não quer se molhar, não saia na chuva.

Mas o erro fundamental, de base, não está nessa famigerada legislação, mas sim na falta de uma reforma política e partidária, que os atuais congressistas não têm coragem de enfrentar. Se tivéssemos partidos realmente comprometidos ideologicamente, se não houvesse essa farra de dezenas de agremiações desprovidas de lideranças de fato, talvez o quadro fosse outro. Quando políticos deixarem de montar legendas para servir de aluguel, em períodos eleitorais; quando se colocar um fim no famoso adágio “é dando que se recebe”, com certeza essa legislação espúria que cerceia a livre expressão do pensamento se perderá no vazio.

Enquanto vigorar a forma de eleição das diversas câmaras representativas do povo (sic); enquanto um novo modelo não for aprovado, preferencialmente o das listas partidárias, teremos que enfrentar essa monotonia dos horários eleitorais de rádio e TV, onde desfilam bisonhos espécimes da fauna humana. Outro aspecto que precisa de mudanças é a profícua sucessão de pesquisas eleitorais, com institutos de qualidade duvidosa, cujos resultados nem sempre batem com o resultado final do pleito.

Esse tipo de prospecção na maioria das vezes tem a função de condicionar o povo para determinado candidato, em uma propaganda subliminar, de fazer inveja a Goebbels, o mago da informação nazista. A liberdade de escolha está diretamente ligada à liberdade de expressão. Recordo-me que na eleição de 1984 para a Prefeitura de Santos, em pesquisa de um desses institutos na semana do pleito, apontava outro vencedor quer não, aquele que realmente levou. O mesmo com relação ao mesmo cargo, em 2005, e assim sucessivamente em várias outras eleições.

Está na hora de os atuais partidos, enquanto a reformulação continuar a ser postergada, evitar candidatos que vão para a televisão para confessar que sequer sabem o que faz um deputado. Evitar esse desfile de mulheres frutas, de palhaços de quinta categoria, apenas para carrear votos para suas legendas e fazer o maior numero de deputados possível. Enquanto perdurar o atual sistema, não tem como cercear os programas humorísticos. Parafraseando o velho Justo, “ O político deve ser como as garças, que pisam no lodo mas não sujam as penas.”

O autor, Carlos Pinto, é jornalista

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