Lençóis Paulista – A Polícia Civil de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) investiga caso de agressão contra um menino de apenas um ano e oito meses. A criança deu entrada no hospital da cidade, na noite do último sábado, com vários ferimentos na cabeça. Além disso, exame de raios X apontou a existência de duas agulhas inseridas na região das nádegas. A principal suspeita do crime é a patroa da mãe do menino. A prática de eventual ritual de magia negra não está descartada.
O delegado Luiz Cláudio Massa conta que aguarda resultado do laudo feito ontem pelo Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, que vai apurar se houve abuso sexual, para dar sequência ao inquérito. Ontem, a principal suspeita da agressão, sua cunhada e a mãe da criança, que trabalha como empregada doméstica, prestaram depoimento. A patroa nega qualquer tipo de agressão contra o filho da empregada mas, segundo o delegado, as evidências apontam para sua participação.
De acordo com Massa, a empregada mora com o filho na casa da sua patroa, em um sobrado na região central da cidade. No sábado, a mãe do menino contou que teria passado o dia com o pai da criança e retornado para casa por volta das 22h. Logo após se deitar, ela diz que foi acordada pela patroa e pela cunhada dela, que mora próximo à residência, que a convidaram para tomar cerveja no piso inferior da casa. “A criança estava em perfeito estado”, afirma.
A patroa, de acordo com o delegado, teria pedido para a empregada buscar cerveja, mas ela se negou. A mulher, então teria saído na companhia de sua cunhada para comprar a bebida e retornado por volta das 23h. Após algumas horas, quando não havia mais cerveja, a patroa pediu novamente à empregada para que ela fosse buscar mais bebida, mas ela, novamente, disse que não iria.
Nesse momento, Massa diz que a patroa perguntou a ela se estava com medo de que fizesse algo de mal contra seu filho. Embora tenha estranhado a pergunta, a empregada não quis contrariar sua patroa e decidiu sair para comprar bebida, retornando depois de 40 minutos. As três continuaram bebendo e, no momento em que a patroa e sua cunhada subiram para ir ao banheiro, a empregada resolveu verificar se seu filho queria tomar leite.
“Nesse momento, ela encontrou a criança toda ensanguentada, com a roupa de cama ensanguentada, a parede do quarto com marcas de sangue, e começou a gritar”, diz. “Segundo a empregada, a patroa não queria que ela fosse ao hospital, queria que ela fizesse o curativo ali mesmo, mas ela não concordou”. A patroa, então, teria se negado a levá-los de carro até o hospital, mesmo com a insistência de sua cunhada.
Desesperada, segundo o delegado, a mãe decidiu procurar atendimento para o filho a pé e o levou até o Hospital Nossa Senhora da Piedade. “A patroa tenta alegar que a criança poderia ter chegado ferida da rua, só que a cunhada da patroa afirma que, quando elas foram acordar a empregada no quarto para ir beber, o quarto estava com a luz acesa, a criança estava deitada na cama normalmente e não havia nenhum ferimento na criança”, afirma.
De acordo com Massa, por morar na casa da patroa, a mãe acabou perdendo a guarda do filho, que teve alta médica e foi encaminhado a uma entidade do município, onde está sob os cuidados do Conselho Tutelar. A criança terá que passar por intervenção cirúrgica para a retirada das agulhas. O delegado diz que, embora as suspeitas recaiam sobre a patroa da mãe do menino, os motivos da agressão ainda serão alvo de investigação.
Uma das hipóteses, segundo ele, seria retaliação por conta da empregada ter se recusado a sair para comprar cerveja.
“A gente não sabe se estavam todas embriagadas, já que elas contaram que consumiram nove cervejas”, explica. “A gente também apura até uma possibilidade de eventual magia negra porque a empregada admitiu que ambas frequentam uma cartomante, mas alegam que é só para ler a sorte”.
Na tarde de ontem, o Jornal da Cidade entrou em contato com o Hospital Nossa Senhora da Piedade, mas foi informado pela gerente de enfermagem, Eloísa de Mattos Borin, que a unidade de saúde não havia atendido recentemente nenhuma criança com agulhas pelo corpo.