O candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) criticou ontem, em campanha em Bauru, o recuo do financiamento por parte do governo federal dos gastos com Saúde. Segundo ele, a União reduziu em 10% o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos anos. O tucano considerou justa a reclamação do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde em relação à repartição da fatia do sistema, embora o Conasems tenha apontado, sobretudo, a ausência dos estados no custeio de vários programas, como os 25% que não são bancados no Programa Saúde da Família (PSF).
No PSF, a União repassa 40% do total e o município assume o restante. Na instalação das Unidades de Pronto-Atendimento (UPAS), o governo Lula está garantindo uma parte do funcionamento dos serviços. Mas o PSDB considera que o governo petista contribui muito menos do que deveria. José Serra avaliou, de sua parte, que a reclamação dos secretários em torno da pressão em cima das prefeituras em gastos com Saúde é procedente, mas salientou que a União não fez a sua parte e se negou a regulamentar a emenda constitucional que obriga percentual mínimo para o setor.
“O governo federal recolheu, tirou o time. Quem está pagando mais saúde hoje são os estados e municípios. Não acho que eles devam diminuir, mas é o governo federal quem tem de aumentar. Por que não aumentou? Nós aprovamos uma emenda constitucional que valia para estados, municípios e governo federal e o governo impediu que esta lei fosse regulamentada. O prazo constitucional era 2004 e eles não mandaram. A saúde enfrenta problemas no Brasil inteiro porque falta dinheiro e o governo federal recuou nesta matéria. É só regulamentar”, disse.
Serra pediu para Geraldo Alckmin (PSDB), que fez campanha a seu lado no Calçadão de Bauru, ontem à tarde, recordar quanto representava a diminuição federal no custeio de serviços públicos de Saúde. “O governo federal reduziu 10% o financiamento do SUS por parte do governo federal”, informou Alckmin.
Então, complementou Serra, os prefeitos e os governadores é que tiveram de cobrir a diferença. “O Hospital Estadual é o estado que paga tudo. A clínica de tratamento de dependentes, a Lucy Montoro, de reabilitação, quem paga a conta é o estado, não é o SUS. O SUS recolheu. É que o governo do Estado colocou muito dinheiro para ajudar. São Paulo é o que mais gasta em saúde no Brasil”, reforçou.
Apoio de prefeitos
Em uma estratégia de ofensiva na campanha presidencial para tentar estancar o crescimento da principal adversária, Dilma Rousseff (PT), o candidato tucano confirmou que os prefeitos estão sendo chamados a ajudar. Mas ele minimizou que é para dizer o que foi “feito em São Paulo“.
“Eu estaria pedindo o apoio dos prefeitos em qualquer circunstância. Não é o apoio, apenas que eles digam às pessoas tudo o que a gente fez no Interior e nas cidades. Isto eu faria em qualquer situação. O importante é levar em conta que aquilo que nós fizemos em Bauru nas duas gestões, na do Alckmin e na minha é o que vai ser continuado em São Paulo e é o que vai ser feito no Brasil”, afirmou.
O candidato a presidente pelo PSDB voltou a elencar ações do governo estadual em Bauru que, segundo ele, serão levadas para as demais regiões do País. “Aqui tem o AME, que é modelo de policlínica, aqui tem Fatec, tem Hospital Estadual que o Alckmin fez e eu reforcei e que tem excelente atendimento. Tem obras urbanas, como a avenida Nações Norte que está sendo concluída, Poupatempo, uma modalidade de facilitar a vida das pessoas, o Aeroporto novo que foi feito pelo governador Alckmin, a Bauru-Marília, a duplicação que concluímos. Estes investimentos mostram aqui o que vai continuar sendo feito em São Paulo e coisas que vamos levar para o resto do Brasil, como o AME e as Fatecs”.
Serra também não perdeu oportunidade de alfinetar adversários, ainda que sem mencionar o nome de um concorrente. “Neste caso, de cursos tecnológicos e policlínicas na saúde, não vale a propaganda, o que vale é o ensino que preparada e o atendimento de exames especializados garantidos. E isso vamos levar para todo o Brasil”. O tucano voltou a evitar falar do posicionamento das pesquisas eleitorais, desfavoráveis à sua candidatura neste momento: “Eu não comento número de pesquisas. Eu comento coisas da realidade, o que a gente vai fazer e o que está fazendo. É isso que interessa à população”.
Sobre a mecanização da lavoura a partir de 2014, conforme protocolo válido para o Estado de São Paulo, José Serra ainda falou que pretende fazer o mesmo no País. “É uma limitação drástica para as queimadas da cana-de-açúcar e conseguimos encolher 1 milhão e 500 mil hectares que não têm mais queimada. Está avançando isto e em 2014 não vamos ter praticamente nada. Vou querer fazer um protocolo deste no Brasil inteiro, porque a queimada polui, faz mal à saúde das pessoas e desperdiça energia”, disse.
Para quem ficar sem emprego no setor, o candidato aposta na reciclagem. “Com a mecanização temos de reciclar os trabalhadores, o que estamos fazendo em São Paulo, pra que trabalhem em outras áreas da cana-de-açúcar e do álcool, que se acrescenta agora na cadeia produtiva do açúcar”, finalizou.