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Nanopartícula ajuda a tratar de câncer a arteriosclerose

Folhapress
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Águas de Lindóia - Em busca de um tratamento alternativo contra o câncer, um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) encontrou uma terapia eficaz para arteriosclerose, a inflamação das artérias. Outros testes mostraram que o método também diminui inflamações após transplantes de coração.

A técnica, criada pelo coordenador do Laboratório de Metabolismo de Lipídeos da USP, Raul Maranhão, usa nanopartículas (com tamanho da ordem de bilionésimos de metro) para transportar os remédios até as lesões.

O pesquisador criou uma nanopartícula que simula a molécula que transporta o colesterol para as células, a LDL. Então, “recheou” a partícula com remédios já usados em quimioterapia.

As duas moléculas ficaram muito parecidas, mas com uma diferença fundamental: a versão de laboratório, batizada de LDE, não tem a proteína apo B. Isso faz com que, após ela entrar no organismo, outra proteína - a apo E - se ligue à molécula sintetizada, aumentando a capacidade de absorção das substâncias pelas células.

Como as células cancerosas têm muito mais “entradas” para o LDL do que as saudáveis (usam isso para se multiplicar rapidamente), as nanopartículas acabaram atraídas exatamente para lá.

De acordo com o cientista, isso garante que o tratamento seja “eficaz e, ao mesmo tempo, com pouquíssimos efeitos colaterais”.

Em testes com coelhos, ele percebeu que as nanopartículas também eram atraídas para as lesões causadas pela arteriosclerose. Usando a mesma droga da quimioterapia, que também tem propriedades anti-inflamatórias, ele reduziu em até 60% o tamanho das lesões.

O resultado levou a uma parceria com o Instituto do Coração (Incor) na área de transplantes. Coelhos que receberam novos corações também tiveram até 50% menos inflamação nas artérias.

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