Polícia

Criança de 2 anos é agredida durante discussão de casal

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Mais um caso de violência doméstica em Bauru foi registrado, tendo uma criança de apenas 2 anos como vítima. Ela foi agredida durante uma briga entre seus pais por volta das 21h45 de anteontem, em uma residência no Núcleo Mary Dota, em Bauru. Conforme descrito no boletim de ocorrência (BO), o casal teria entrado em luta corporal após se desentender por motivos ainda a serem apurados. A criança começou a chorar e acabou sendo agredida. Os nomes estão sendo preservados em obediência ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

No momento da briga, a avó da criança tentou retirá-la do local, mas acabou sendo agredida também. Uma outra pessoa tentou acalmar o pai, mas teria sido ameaçada de morte e quase golpeada com uma faca por ele.

De acordo com o BO, a agressão à criança resultou em ferimentos leves, mas não foi especificado o tipo de lesão. Depois da briga, o casal deixou o local. Uma tia materna da criança também foi agredida durante a confusão.

O Conselho Tutelar foi acionado e determinou que a criança ficasse com a avó.

‘Acima do aceitável’

Na avaliação da vice-presidente e conselheira do Conselho Tutelar de Bauru, Valdileine Richelma Sivieiro, os registros de agressão familiar no ambiente doméstico estão acima do aceitável na cidade. “A demanda de atendimento de casos envolvendo agressão contra crianças e adolescentes no ambiente familiar é grande”, indica Sivieiro.

Apesar de não poder punir os autores da agressão, o Conselho Tutelar tem desenvolvido um trabalho que busca zelar por medidas de proteção a crianças ou adolescentes vítimas de agressão.

Segundo a conselheira, a primeira medida tomada pelo Conselho Tutelar diante de uma ocorrência de violência doméstica é afastar a criança ou adolescente da zona de risco.

“A vítima também passa por um acompanhamento psicológico, desenvolvido por entidades competentes, que nos emitem um relatório sobre os resultados do trabalho”, explica. “Cabe à polícia levar o caso à Justiça para que demais providências sejam tomadas”, complementa Sivieiro.

Apesar das frequentes críticas à falta de estrutura do Conselho Tutelar, Sivieiro afirma que o modelo de atendimento às crianças e adolescentes praticado em Bauru é considerado exemplo para outras regiões.

“Atos de violência evidenciados no âmbito familiar estão ligados aos valores que esses pais carregam ao longo da vida”, comenta a conselheira. “É difícil querer mudar a conduta de um pai ou mãe agressor. Essa postura deve ser incentivada desde a infância”, enfatiza.

Na visão da conselheira, o trabalho preventivo junto às famílias e a educação podem ajudar a diminuir os índices de violência doméstica.

“Somente uma educação que resgate certos valores poderá contribuir para formar crianças que, no futuro, serão bons pais de família”, salienta.

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