Certamente o momento mais tocante da festa que marcou os 100 anos do Noroeste, ontem à noite, foi a homenagem aos ex-jogadores que defenderam a equipe em diferentes épocas. Vários ídolos noroestinos estavam novamente no gramado do estádio Alfredo de Castilho e receberam uma medalha que marcou a data celebrada. Era evidente a emoção dos senhores que um dia defenderam as cores alvirrubras e de familiares que representaram os ídolos já se foram, como Floraci de Almeida Padroni, ex-esposa do ex-zagueiro Xandú, falecido há pouco tempo.
Atacante, defensores, meias, goleiros, todos relembravam suas histórias dentro da história do aniversariante centenário. José Carlos Coelho, visivelmente comovido, era um dos homenageados. “É muito emocionante ter reconhecimento, principalmente em futebol, que é uma profissão em que você não tem futuro praticamente. Quando você recebe uma homenagem deste tipo, se emociona e lembra de sua história desde a infância, é maravilhoso”, declara.
Coelho defendeu o Noroeste por sete anos, de 1960 a 1967, e marcou 142 gols pelo time de Bauru. O ex-jogador escreveu seu nome na história do Alfredo de Castilho com um deles, o primeiro marcado no campo noroestino na vitória sobre o Palmeiras por 3 a 2, em 5 de junho de 1960. “Tenho orgulho disso até hoje”, relembra. Coelho ainda cita como momentos marcantes em sua trajetória no Noroeste o quinto lugar no Paulista de 1960 e um empate contra o São Paulo. “Eu era treinador e jogador do Noroeste, fizemos uma partida contra o São Paulo no Morumbi. Se perdêssemos, cairíamos para a segunda divisão. Obtivemos um honroso empate e continuamos na série maior do futebol paulista”, conta.
Outro homenageado que tem um gol marcante na história noroestina foi o goleiro Navarro. O arqueiro fez um gol de tiro de meta contra o Taubaté, em 1971, no Alfredão. “Chutei do lado dos eucaliptos e a bola entrou no outro gol da entrada. O jogo estava difícil e abriu caminho. O time deles ficou desnorteado, o Noroeste tinha um time bom e ganhamos de 6 a 1”, relembra. Navarro também não esconde a emoção com a homenagem. “É uma satisfação muito grande. Na hora que soltaram os fogos, eu revivi tudo, voltaram à minha memória aqueles áureos tempos do Noroeste. Para a gente, é uma coisa muito gratificante”, diz o goleiro alvirrubro no período entre as décadas de 50 e 70.
Marco Antônio Machado, que jogou e treinou o Noroeste, elogia a homenagem. “Acima de tudo, é uma homenagem justa a estes que ajudaram a construir a história do Noroeste. Particularmente, para a gente, é uma oportunidade de um reencontro com aqueles com os quais convivemos em jornadas vitoriosas ou não e relembrar o passado. Acho que a história tem que ser lembrada mesmo, estes personagens têm que ser reconhecidos. O Noroeste tem uma história muito rica de vitórias”, considera.
Baroninho também comenta sobre a homenagem. “São muitos jogadores e poderiam estar todos que vestiram a camisa do Noroeste, principalmente os de Bauru. É uma festa bonita e sempre bom ser lembrado”, afirma o ex-jogador, que iniciou nas categorias de base do Norusca, aos 13 anos e permaneceu no clube, em sua primeira passagem - foram duas - por sete anos.
Jogadores que ainda vestem a camisa do Noroeste também receberam a homenagem. São os casos de Bonfim, revelado nas categorias de base alvirrubras e que está próximo de completar 200 jogos com a camisa noroestina - tem 197 – nos sete anos em que defende o clube. “Sou prata da casa e tenho um carinho especial pelo clube. Estou muito feliz por estar participando desta festa. Sinto-me privilegiado por ter participado desta história, de ter conseguido o acesso no ano do Centenário e fico contente por participar desta festa. Não é qualquer clube que chega à marca de 100 anos”, aponta. Bonfim
Hernani, capitão da equipe de 2006, que fez a melhor campanha do Norusca na história do Paulistão e que acertou seu retorno ao clube neste ano, se disse orgulhoso com a homenagem..