O Brasil ocupa a 4a colocação no ranking da produção de celulose mundial, segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Braselpa). Passou da 6a para a 4a colocação no ano passado. Há quem aposte que o País já ocupa o 3o posto (informação não oficial). O Estado de São Paulo desponta como um dos maiores produtores nacionais. A região de Bauru é contemplada como uma das maiores plantadoras, com aproximadamente 500 mil hectares de floresta de eucalipto, de onde se extrai a celulose.
“O centr-oeste paulista se tornou um polo florestal. A área plantada é expressiva e aponta para um cenário mais otimista. O eucalipto sempre foi um bom negócio, mas nos últimos quatro anos se tornou melhor. Há uma previsão de que dentro de 10 anos vai faltar madeira e isso mexe com o mercado. Faz com que o preço aumente”, explica o professor do departamento de Gestão e Tecnologia Agro-Industrial da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp/Botucatu, Saulo Guerra.
A tendência é a expansão dos plantios, especialmente voltados para o aumento da produtividade. Experimentos nesse sentido estão bastante adiantados na faculdade, segundo Guerra. “Temos um experimento de seis hectares voltado para pequeno produtor. O foco desse trabalho é plantar um eucalipto mais perto do outro e colher precocemente, com um ano ou um ano e meio. O plantio convencional gira em torno de seis a sete anos. Os plantios adensados aumentam a produtividade na geração de biomassa florestal para energia. Essa nova tecnologia permite que o produtor obtenha lucro mais rápido.”
Ele acha que o eucalipto que, hoje é a 2a principal cultura na região de Botucatu ( 100 quilômetros de Bauru), será a principal em período curto. “Hoje a principal atividade rural da cidade são as pastagens, mas com os pastos degradados a tendência é que haja substituição por eucalipto.”
A pesquisa da faculdade indica que até o pequeno produtor vê a possibilidade lucrativa do eucalipto. “Existe uma expansão de plantio nas pequenas áreas, porque o produtor está apostando na previsão do ‘apagão’ da madeira. Então é possível afirmar que não só os maciços plantados por empresas estão fazendo do centro-oeste um polo florestal.”
O plantio superadensado ou adensado para produção de energia tem como proposta fazer com que o produtor tenha retorno financeiro rápido. “Fizemos o experimento e colhemos o primeiro ano, estamos no segundo ano de pesquisa. Provamos que o eucalipto com um ano de idade proporciona o mesmo retorno financeiro para o produtor que fazia o plantio convencional. O lucro é de R$ 1,5 mil por hectare, o mesmo que ele vai ter no final de seis anos. Isso incentiva cada vez mais pequenos produtores a entrar no negócio.”
A plantação de eucalipto tem mais uma vantagem, desta vez, a favor do meio ambiente, frisa o professor. “O eucalipto é bom comercialmente. Traz dividendos para os municípios e ainda beneficia o planeta. As florestas influenciam positivamente na temperatura. Todo maciço florestal tem por característica próprias sequestrar carbono e aumentar a umidade relativa do ar. Como consequência, diminui a temperatura ambiente. Isso é intrínseco de qualquer espécie florestal.