Nacional

Brasil reduz exposição ao dólar e ao euro com aplicações em “moedas exóticas”

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Dólar canadense. Libra esterlina. Dólar australiano. Essas são as moedas que viraram alternativa para aplicação das reservas internacionais do Brasil em tempos de descrença nas duas principais divisas mundiais: o dólar americano e o euro.

Segundo dados do Banco Central, a participação dessas moedas nas reservas brasileiras alcançou em 2009 o maior nível desde 2002: 11%. Há dois anos, representavam apenas 0,5% dos recursos.

As aplicações em dólar, por outro lado, ficaram no menor nível em quatro anos, embora ainda representem 82% das reservas brasileiras. Nos três anos anteriores, responderam por aproximadamente 90% do total.

O euro, que teve sua credibilidade colocada em xeque pela crise da dívida de países da região, chegou a representar mais de um terço das reservas brasileiras no início da década.

No ano passado, no entanto, apenas 7% dos recursos foram aplicados nessa moeda, o menor percentual da série iniciada em 2002 pelo BC.

As reservas internacionais funcionam como um seguro contra crises. Por isso, sua aplicação em diferentes moedas deve refletir o peso de cada divisa na dívida externa do país.

No caso do Brasil, no entanto, há uma margem para diversificar essas aplicações. O valor das reservas está hoje em cerca de US$ 260 bilhões, volume superior ao da dívida externa, que está em US$ 235 bilhões.

Essa diferença dá ao BC, responsável pela gestão dos recursos, margem para aplicar parte do dinheiro em moedas consideradas mais seguras ou com maior expectativa de rentabilidade.

Em 2009, Canadá, Reino Unido e Austrália tiveram desempenho econômico melhor do que os EUA e os países da zona do euro, o que levou o BC do Brasil a utilizar essas moedas como alternativas ao dólar e ao euro.

Os dados do BC mostram que a participação de outras moedas nas reservas não era tão significativa desde 2005. Naquela época, o Brasil ainda era devedor do FMI (Fundo Monetário Internacional), instituição cuja moeda reflete uma cesta com várias divisas. Por isso, a composição das reservas era, obrigatoriamente, diversificada.

2010

Dados preliminares mostram que essa política de diversificação pode ter reduzido ainda mais a participação do dólar nas reservas. Números do Tesouro dos EUA mostram que as aplicações do Brasil em títulos norte-americanos recuaram no primeiro semestre de 2010 em relação ao final do ano passado.

Esses papéis respondem hoje por cerca de 60% das reservas. E o país não foi o único a seguir esse caminho.

A China, principal credor dos EUA, também reduziu sua posição, assim como a Rússia.

Para o economista Robson Gonçalves, da FGV, o aumento do deficit externo dos EUA e a fraca perspectiva de recuperação econômica da zona do euro reduzem as chances de recuperação dessas moedas. Por isso, o BC está certo em adotar uma política de diversificação.

Gonçalves lembra, no entanto, que o enfraquecimento das principais moedas internacionais e o aumento no acúmulo de reservas por parte do Brasil estão entre as principais causas da valorização do real.

Para ele, apesar dessa diversificação, não foi reduzido o alto custo de manutenção desse seguro. Em 2009, as reservas tiveram uma rentabilidade de 0,8% em dólares, pior resultado em quatro anos.

Esse rendimento não considera a perda que o Brasil tem com a queda no valor da moeda americana e com a diferença entre os juros praticados no mercado interno e no exterior, algo próximo de US$ 15 bilhões ao ano.

Comentários

Comentários