Economia & Negócios

Carne leva a reajuste em restaurantes

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A estiagem prolongada está influenciando o preço da comida nos restaurantes de Bauru. Com o pasto seco, o gado emagrece e o preço da arroba de carne sobe. Para cobrir o gasto maior, os restaurantes da cidade estão aumentando o preço do quilo da refeição e dos pratos em até R$ 1,50.

De quatro churrascarias de Bauru consultadas pelo Jornal da Cidade, duas já reajustaram os preços. “No meu estabelecimento eu ainda estou arcando com o prejuízo já que o preço da picanha, por exemplo, subiu de R$ 16,90 para R$ 22,90. Mas nós vamos ter que reajustar os valores futuramente para poder sanar esse prejuízo”, afirmou Luiz Henrique Paludo, proprietário de um dos estabelecimentos consultados.

Já Osmar Garcia, dono de outro estabelecimento, ressaltou que o valor de alguns pratos em sua churrascaria já foi reajustado em até R$ 1,50. “Geralmente a carne sobe no mês de outubro. Este ano, nós não estávamos preparados para a estiagem antecipada. Mas já que o preço da carne bovina subiu, nós precisávamos reajustar nossos preços. Acabamos fazendo isso neste mês”, relata.

Estiagem

Para Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru, a estiagem é a principal causa do aumento do preço da carne bovina. “Com o pasto seco, o boi que pesava em média 15 arrobas hoje está pesando 12. Então, como não há tanto boi gordo para o abate, houve aumento de até 20% no preço da carne”, frisa.

Há cerca de um mês, segundo Maurício Lima Verde, a arroba do boi era comercializada a cerca de R$ 78,00 e hoje chega a R$ 94,00. “Algumas fazendas especializadas estocaram cerca de 4 mil animais e os mantiveram na alimentação artificial para não prejudicar tanto a venda. Mas isso, no geral, não ocorre. O boi que era gordo e fica no pasto vai emagrecendo porque não tem comida”, salientou.

A falta de animais não implica em outros setores de comercialização, como a exportação. “Isso ainda não está prejudicado. O que poderia estar em defasagem é a importação, mas não está. Outros países da América do Sul como a Argentina também estão passando pelos mesmos problemas que o Brasil”, completa.

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Preço do quilo do frango

também deve aumentar

Outro tipo de carne que deve ter seu valor reajustado nos próximos dias é o frango. De acordo com Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru, como o preço do milho, que faz parte de 90% da composição da alimentação dessas aves, aumentou, consequentemente o preço da carne também sofrerá reajuste.

A média nacional do preço do saco de 60 quilos de milho no mês de agosto era R$ 16,27 e no início desse mês o valor já estava em R$ 17,60. Atualmente o quilo da coxa e a sobrecoxa, um dos cortes mais consumidos, pode ser encontrado à venda em supermercados de Bauru entre R$ 3,98 a R$ 3,39.

“O milho subiu muito de preço e isso vai fazer com que o quilo do frango suba nos próximos 30 dias. Esse aumento é em decorrência da seca e de pouca produção nos Estados Unidos”, acrescentou.

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Abate de fêmeas

Outra explicação para a falta de carne bovina no mercado, que consequentemente gera um aumento no preço do produto, é o abate desenfreado de fêmeas. “Antigamente era proibido o abate de fêmeas. Se as fêmeas não se reproduzem, o número de animais cai muito. Hoje o abate de fêmeas chega a 80%, um número grande, quando elas deveriam ser mais reservadas para a reprodução”, opinou Maurício Lima Verde, presidente do Sindicato Rural de Bauru.

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