Polícia

Em 5h, ladrões levam R$ 32 mil de quatro estabelecimentos

Mariana Cerigatto
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Uma série de roubos assustou comerciantes e empresários entre a tarde e noite de anteontem em Bauru. Em todos eles, os assaltantes fizeram ameaças utilizando arma de fogo levaram mais de R$ 32 mil em dinheiro. O primeiro assalto foi registrado às 15h45 de anteontem, na área central da cidade.

Conforme relatado em boletim da ocorrência (BO) por policiais da Base Centro, dois ladrões levaram um malote contendo R$ 27 mil em dinheiro e R$ 3.858,36 em cheques de uma loja de móveis localizada na rua 1º de Agosto. O malote estava sendo transportado por uma funcionária da loja, que iria fazer um depósito numa agência bancária.

Ao sair do estabelecimento, ela foi surpreendida pelos assaltantes, que exigiram o malote mediante ameaça utilizando um revólver. Em seguida, a dupla fugiu sem deixar pistas. Por volta das 16h55, o alvo foi um correspondente bancário localizado na rua Vírgilio Malta, novamente na área central da cidade. Um ladrão, usando capacete de cor vermelha, de posse de uma arma de fogo, rendeu a gerente do estabelecimento, que foi obrigada a entregar R$ 4 mil em dinheiro. Posteriormente, fugiu tomando rumo ignorado.

Durante a noite, mais dois estabelecimentos foram roubados. Uma paneteria da rua Ignácio Alexandre Nasralla, na Vila Mariana, foi assaltada por dois homens armados com revólver às 21h10. Um dos ladrões aparentava ser uma mulher, porém usava roupas masculinas, segundo registrado em boletim de ocorrência. Mediante ameaça, exigiram dinheiro do caixa e levaram uma quantia de R$ 60,00 e fugiram em disparada.

Cerca de 20 minutos mais tarde, dois ladrões renderam o caixa de um posto de combustíveis da avenida Nações Unidas, no Jardim Panorama. Os dois homens, ambos armados com revólver, levaram aproximadamente R$ 1.800,00 em dinheiro do estabelecimento.

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PM recomenda observar as imediações

De acordo com o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar, a observação é a principal aliada da polícia e das vítimas para prevenir roubos. Segundo ele, é preciso reparar se há, nas imediações do estabelecimento, uma pessoa ou grupo que possa levantar suspeitas.

“A maioria dos roubos é planejada pelos assaltantes, que observam momentos antes a movimentação do local. Por isso, é imprescindível constante observação das imediações”, afirma Garcia.

“Se a pessoa identificar algo suspeito e acionar o quanto antes a polícia, estará contribuindo para evitar o roubo. Se deixa para acionar a polícia durante o delito, coloca em risco a própria vida e dificulta o trabalho da polícia”, frisa o comandante. A medida de prevenção é válida para qualquer tipo de assalto, tanto na rua, quanto em residências e a estabelecimentos comerciais.

Às empresas que precisam transportar grande quantidade de dinheiro ou cheques, o tenente-coronel Garcia aconselha que o acompanhamento do funcionário responsável pelo transporte deve ser feito pela polícia. “O responsável deve comunicar a base policial do seu bairro, que pode deslocar uma equipe para acompanhar o funcionário”, informa.

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PM faz reunião com padarias

Em função da onda de assaltos a estabelecimentos comerciais, a Polícia Militar irá realizar uma palestra na sexta-feira, a partir das 17h, apresentando dicas de segurança e orientações destinadas a proprietários de padarias, já que elas têm sido alvos dos ladrões. Conforme o Jornal da Cidade divulgou ontem, uma panificadora do Jardim Panorama foi roubada anteontem por dois ladrões armados de revólver que ocupavam uma moto. Eles fugiram levando R$ 15,00.

“Queremos repetir a mesma orientação que demos aos donos das lotéricas, que foram alvos de assaltos seguidos no mês passado”, disse o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão da PM. “Com as dicas de segurança, tivemos bons resultados”, afirma.

De acordo com o comandante, outras orientações poderão ser apresentadas para outros ramos empresariais, de acordo com a incidência de assaltos A palestra para os proprietários de padarias acontecerá no próprio Batalhão da Polícia Militar, que fica na avenida Luiz Edmundo Carrijo Coube, 3-1094, no Jardim Colonial.

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Vítima conta o que sentiu

após roubo em sua casa e sequestro de parentes

Após superar um roubo ocorrido há quatro anos, uma vítima, que preferiu não se identificar, relata que não sofreu estresse pós-traumático, mas ficou revoltada com o ocorrido e até mudou-se de uma casa para apartamento.

A vítima conta que três assaltantes invadiram sua residência em Bauru, no Jardim Higienópolis, no momento em que ela entrava com seu veículo na garagem de sua casa. Parte da família residente no local foi rendida.

Um dos assaltantes estava armado de revólver e, após o assalto, levou dois familiares em um dos veículos da família até uma estrada de terra, onde foram abandonados.

“Quem mais ficou abalada e com medo, na época, foi minha mãe. Fui morar com ela e o restante da família em um apartamento”, conta. “Eu lembro que a minha sensação não foi de medo nem de isolamento, foi mais de raiva e revolta. Queria punir os responsáveis o quanto antes”, afirma a vítima. No entanto, ela ficou mais atenta após ser assaltada. “Agora, eu observo mais antes de entrar com o veículo no local onde moro e sempre reparo se há alguém por perto”, comenta.

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Uma em cada dez vítimas de assalto desenvolve estresse pós-traumático

Assaltos à mão armada são ocorrências consideradas delitos violentos e que podem deixar marcas psicológicas profundas nas vítimas. Pesquisa de 2008, coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que na cidade de São Paulo uma em cada dez pessoas em um ano sofreu episódios de violência, como assalto, e apresenta sinais de transtorno de estresse pós-traumático.

Coordenado pelo psiquiatra Jair de Jesus Mari, da Unifesp, também autor do livro “Transtorno em Estresse Pós-Traumático”, o estudo avaliou 2.530 moradores de diferentes regiões e segmentos socioeconômicos da capital paulista.

Em Bauru, um estudo que traça o perfil da criminalidade e da segurança pública na cidade, divulgado recentemente pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), revelou, em linhas gerais, que os crimes que mais fizeram vítimas na cidade ao longo de um ano foram os assaltos, com maior incidência nas zonas sul e noroeste. Já a zona oeste, que abrange a Vila Independência e Falcão, foi indicada como a área de menor incidência de roubos.

Procuradas pela reportagem do Jornal da Cidade, as vítimas dos assaltos ocorridos anteontem em Bauru preferiram não comentar o ocorrido, dizendo estarem abaladas e com medo de retaliações. O estresse pós-traumático, um tipo de transtorno de ansiedade, afeta, principalmente, vítimas de atos violentos, que passaram por situações que colocaram em risco a vida. As reações podem variar de pessoa para pessoa.

“Esse tipo de trauma pode deixar o indivíduo em constante retaguarda. Uma pessoa que foi assaltada pode criar certos medos, de sair de casa, de atender o telefone, até de aparecer na janela da residência”, explica a psicóloga Carmem Maria Bueno Neme. Isso acontece porque a vítima, de acordo com a pisicóloga, passa a reviver situações que vivenciou e começa a temer que elas possam acontecer novamente.

Algumas pessoas chegam até a mudar de endereço residencial ou até para outra cidade. “Após passar pelo ato violento, é normal que a vítima fique assustada. Mas se esse comportamento pós-traumático perdurar por muito tempo, pode ocasionar conseqüências negativas na vida social e afetiva”, aponta Neme. Para a especialista, o mais indicado é que a pessoa vítima de violência passe por um tratamento adequado. “Existem modalidades de psicoterapia focalizadas para reverter sequelas causadas por um episódio de violência vivido. Quanto mais tempo a pessoa ‘guardar’ esses traumas, sem tratá-los, pior serão as consequências no decorrer da sua vida”, frisa.

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