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PSDB e PT já articulam cerco aos votos de Marina

Folhapress
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Brasília - Aliados de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) começaram o cerco para tentar atrair o apoio de Marina Silva (PV) no segundo turno da eleição. As duas campanhas escalaram emissários para abrir as conversas em nome dos presidenciáveis.

Ontem, a senadora deu novos sinais de que pretende se declarar neutra. Ela trava disputa com a direção do PV para impedir uma adesão imediata da sigla a Serra. Marina recebeu ligações dos dois candidatos, mas não quis marcar reuniões com eles.

O PSDB escalou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para iniciar uma aproximação. Do lado petista, a tarefa caberá ao governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner, e aos irmãos Tião e Jorge Viana, do Acre.

Os tucanos contam com o esforço de dois aliados no PV: o candidato derrotado ao governo do Rio, Fernando Gabeira, e o secretário do Meio Ambiente da prefeitura de São Paulo, Eduardo Jorge. Ontem, Gabeira declarou voto em Serra e disse que conversará com Marina sobre o assunto, mas “sem a intenção de convencê-la”.

A estratégia tucana é esperar que Fernando Henrique quebre as resistências da senadora a Serra, de quem ela se distanciou nas últimas semanas do primeiro turno. A relação dos dois chegou ao pior momento no debate da TV Globo, quando o tucano a acusou de ter participado do “governo do mensalão”.

Em outra frente, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) foram acionados para conversar com os deputados federais e estaduais do PV, que podem ajudar a garantir o apoio institucional do partido caso Marina insista em não declarar voto.

No PT, as relações pessoais balizaram a escolha dos emissários de Dilma. Amigo de Marina, Wagner já havia tentado conciliar verdes e petistas no início da campanha, quando o ministro Juca Ferreira (Cultura) anunciou apoio à petista.

Os irmãos Viana ainda são os principais interlocutores de Marina no PT, mas ajudaram a derrotá-la no Acre ao pedir votos para Dilma.

A petista afirmou em Brasília que não espera atrair o apoio do PV, mas da senadora. “Eu dou muito valor à Marina. Eu respeito a Marina como militante política e acredito que temos mais proximidades do que diferenças. Agora, isso é questão de foro íntimo da Marina”, disse.

Sem resposta

Ao relatar os telefonemas de Dilma e Serra, Marina fez questão de dizer que não fez promessas de apoio. “Ambos me telefonaram para parabenizar pela contribuição que demos ao país e manifestaram o desejo de ter a oportunidade de conversar, caso eu ache oportuno e no momento adequado’’, afirmou.

A senadora voltou a indicar que pretende se declarar neutra. Ela repetiu o discurso de que os 19,5 milhões de votos que recebeu no primeiro turno não pertencem a ela, indicando que não dirá a seus eleitores como devem se comportar “O cidadão é dono do seu voto. O voto não é da Marina, do Serra ou da Dilma, é do eleitor”, disse.

No domingo, após reconhecer a derrota, ela reforçou a tese ao criticar a “visão patrimonialista” do voto.

O coordenador da campanha verde, João Paulo Capobianco, fez coro ao discurso. “Se os candidatos que vão ao segundo turno quiserem o apoio dos eleitores da Marina, eles têm de convencer os eleitores. A Marina não é dona do voto de ninguém.”

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