Política

Panfletos deixam Calçadão da Batista de Carvalho imundo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Nada de bandeirolas nas esquinas nem carro de som. Mas em compensação, quem passou pelo Calçadão da Batista de Carvalho, em Bauru, ontem à tarde, véspera de eleição, se deparou com uma enxurrada de panfletos pelo chão e uma infinidade de placas e cavaletes de madeira com a foto e o nome dos candidatos.

Nas quadras mais movimentadas do Calçadão, cabos eleitorais faziam o último esforço para conquistar o voto dos indecisos. Milhares de santinhos foram distribuídos e o destino de grande parte deles foi o chão. As lixeiras, quase todas lotadas, não deram conta da demanda. Como o brasileiro, de uma forma geral, não tem paciência nem consciência de levar o papel para casa e jogá-lo no lixo, os folhetos foram descartados ao longo das quadras do Calçadão mesmo.

Com a chuva, que se fez presente de forma intermitente o dia todo, a situação ficou ainda pior, principalmente para quem recebeu a missão de manter o local limpo, como a funcionária pública Lúcia Guedes. Com uma vassoura e uma lixeira móvel em mãos, ela e outras três colegas se esforçavam ontem para conseguir desprender do chão os santinhos dos candidatos.

“Hoje (ontem) está demais. Tem muito papel no chão e com a chuva fica difícil de limpar. Demora mais”, reclamava ela, enquanto esvaziava uma das lixeiras fixas cheias de papel até a “boca”.

“Horrível”

Para a estudante Dapne Michelly Calepso de Castro, o visual do Calçadão, ontem, estava o pior possível. “Está horrível. Eu acho que não precisava ser assim. Não há necessidade de distribuir tanto papel. Além disso, as pessoas têm o costume de pegar o santinho e jogar no chão, ao invés de jogar no lixo”, criticou.

A costureira Eli Vieira não deixou por menos. “Isso aqui está uma porquice. Normalmente a cidade já é suja, mas quando chega esses dias de campanha (eleitoral) fica pior”, comenta. Segundo ela, saber que no dia da eleição, costumeiramente, a cidade fica ainda mais suja de papel, é mais um motivo para ela sentir “nojo” da maneira como é feita a divulgação dos candidatos. “Acho que falta conscientização dos dois lados. De quem distribui (incluindo aí o candidato) e de quem recebe os papéis”, opina.

A evangelista Cecília da Silva estava ontem do lado de quem distribui. Depois de quatro meses de campanha diária em favor de seu candidato, ela não se mostrava cansada. “Se fosse preciso, começaria tudo de novo”, disse.

Durante esse tempo, ela fez campanha em Bauru e em outras cidades da região. “É cansativo, mas vale a pena porque eu conheço o candidato e sei que ele merece esse esforço”, afirma. Segundo Cecília, é a primeira vez que ela faz campanha na rua para um candidato.

Para a diarista Neuza Kimura, que também foi contratada para trabalhar como cabo eleitoral este ano, o serviço não é encarado como um peso, embora, muitas vezes, o contato com pessoas que não gostam de política cause um certo desgaste, mas nada que não possa ser contornado.

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