Algumas cidades do Interior descobriram a fórmula para eleger mais de um representante local à Assembleia Legislativa, ao contrário da nossa, que persiste na errada vocação de distribuir votos a dezenas de candidatos de base eleitoral fixada em todos os lugares do Estado. Essa rotina se repete a toda eleição e já se tornou praxe a entrega de votos a muitos candidatos de outras plagas e a pouca destinação aos pretendentes de nossa terra.
As regiões de Araçatuba, Baixada Santista, Presidente Prudente e Ribeirão Preto ganharam a posse de três assentos na Assembleia Legislativa. São José do Rio Preto deu o exemplo de como prestigiar os políticos de sua região, elegendo seis candidatos. Marília, Araraquara e Franca colocaram dois representantes no Parlamento. A metrópole de Campinas, conhecida por ser politizada, deu um show em demonstrar que os seus interesses serão melhor defendidos por cidadãos daquela terra e derredor, sufragando nas urnas dezenove representantes. Nossa cidade errou mais uma vez, mas o fracasso de certa forma foi compensado pela expressiva votação de Pedro Tobias. Ao menos houve o mérito de o deputado ser reconduzido à Assembleia como reconhecimento do trabalho e esforço por ele desenvolvidos.
Qual será a razão da dificuldade de Bauru, com colégio eleitoral suficiente para eleger quatro deputados, dois estaduais e dois federais, desacreditar nos candidatos da casa a favor de outros vindos da distância, dentre eles dezenas de paraquedistas, intencionados em arrecadar votos além de seus redutos e, depois dessa fácil conquista, voltam as cos-tas para nossa cidade, esquecendo-se até de agradecer a deferência do ilaqueado eleitor que o ajudou alcançar o mandato. Nesta eleição, dezenove candidatos locais, ao todo, disputaram cadeiras na Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Meia dúzia deles receberam votos nada expressivos, outro ficou no banco de reservas e os demais tiveram uma ninharia de sufrágios. Não se pode falar em votação decepcionante de um colégio eleitoral disperso na medida em que esse quadro é velho conhecido das eleições passadas e com ele convivemos comodamente.
Para mudar essa perniciosa rotina quadrienal, haverá de ser buscada a fórmula com que as cidades mencionadas, pelos diretórios locais interagem com seus candidatos e com os eleitores porque desconhecemos o porquê do nosso eleitor agradar os aventureiros, independentemente de conhecê-los, em detrimento dos candidatos locais. Campanha de conscientização do eleitor não resolve o problema; ela já foi realizada em outras eleições e não surtiu resultados. Conscientizar os partidos políticos e coligações de convencerem o filiado de reconhecida rejeição pelo eleitorado ou de escassa expressão política, mas persistente na disputa, seria uma tentativa de reter no gargalo o nome de figurantes. Mas essa solução caberia se o voto proporcional cedesse lugar ao voto distrital, de reduzida possibilidade do critério se modificar na legislação eleitoral porque essa mudança é abominada pelo interesse maior dos políticos capitalizadores de votos em todos os recantos em troca de promessas descumpridas ou investimentos pessoais no seu cativo rebanho.
Qual será a solução para eliminar nossa dificuldade de eleger candidatos da casa em substituição aos que fracassam na colheita de votos? Tentando resolver o problema de forma doméstica e apenas por conta de uma ideia, sem consultar as cidades que lideraram a lista das que mais elegeram candidatos, nada obsta que se pense numa espécie do sistema distrital quando da escolha pelos diretórios dos partidos políticos e coligações, ao invés de um só nome de candidato (como é no voto distrital), dois ou três que efetivamente tenham no seu currículo expressividade na atuação profissional ao lado da boa identificação com o eleitor.
Assim, muitos pretendentes despojados daqueles valores, como se viu na eleição de 3 de outubro último, serão retidos no funil. Seria como um acordo de cavalheiros entre os partidos políticos e coligações a exemplo do fio de barba retirado como assinatura, uma vez honrado como no passado, representava ficticiamente um contrato devidamente formalizado. E sem firma reconhecida. Se inviável esse acordo a favor da cidade, só resta consultar as cidades encimadas.
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril, é professor universitário, aposentado