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Hospitais de Bauru já estão alerta a casos de superbactéria

Por Vitor Oshiro | Com Rafael Moraes Moura
| Tempo de leitura: 6 min

O avanço da superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), que inicialmente afetava somente o Distrito Federal, preocupa agora todo o Brasil. Em Bauru, mesmo que nenhum caso tenha sido registrado, as instituições hospitalares já estão com o sinal de alerta ligado.

A bactéria, ao adquirir uma enzima, se tornou resistente aos antibióticos mais potentes utilizados contra infecções e, por isso, passou a ser chamada nos meios médicos de superbactéria ou bactéria super-resistente.

A KPC foi identificada inicialmente no Distrito Federal, porém, casos da bactéria já foram confirmados em São Paulo e no Paraná. Ontem, mais dois Estados confirmaram a contaminação pela superbactéria: Espírito Santo e Bahia (leia mais na página 28).

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que também é médico infectologista, afirma que, na cidade, ainda não há registros da bactéria e explica que o modo como ela está sendo tratada nos lugares com foco é fundamental.

“Esta bactéria pode ser algo isolado ou pode se espalhar. Temos que ficar atentos sobre como ela está sendo conduzida nos locais onde já existe. O procedimento que está sendo adotado é o que vai determinar isso e nós, da área da saúde, devemos nos atentar a isso”, informa.

De acordo com ele, mesmo que não existam registros em Bauru, é importante os hospitais manterem um sinal de alerta justamente para detectar uma possível contaminação. “É necessário uma vigilância precoce nos ambientes hospitalares e realizar um alerta clínico para verificar se doenças que antes eram tratadas facilmente, estão apresentando mais dificuldades de tratamento. É importante também que haja um alerta nos próprios laboratórios para verificar um possível aparecimento da bactéria”, afirma.

Além desse alerta pontual, o secretário informa que é fundamental manter os procedimentos de rotina já adotados nos hospitais para conter e identificar possíveis infecções.

Segundo a literatura médica, o grande perigo da bactéria é que ela se tornou resistente aos melhores antibióticos utilizados em infecções e, desse modo, torna o tratamento ineficaz em diversas ocasiões, podendo ocasionar até mesmo a morte do paciente.

A KPC pode contaminar qualquer órgão humano, entretanto, as doenças mais frequentes ocasionadas pela bactéria são a pneumonia e a infeccção urinária.

Procedimento nos hospitais

Entre as medidas de prevenção que os hospitais devem tomar para evitar infecções – para qualquer tipo de bactéria - estão a identificação precoce de qualquer contaminação e o isolamento do paciente contaminado, higienização das mãos e dos ambientes e o uso de luvas e aventais.

A reportagem consultou alguns hospitais da cidade e confirmou que, além desse procedimento de rotina, algumas instituições estão adotando cuidados a mais. A assessoria de comunicação do Hospital de Base (HB) informou que há uma Comissão Permanente Contra Infecção Hospitalar e que há uma coleta periódica para examinar as bactérias presentes no ambiente para posteriormente eliminá-las. Além das medidas de higiene rotineiras, houve uma intensificação no cuidado nas salas cirúrgicas.

Também por meio da assessoria de comunicação, o Hospital Estadual (HE) afirmou que a instituição segue uma série de protocolos e que mantém uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) bastante atuante. Desse modo, apesar de estar acompanhando os rumos da contaminação, ainda não adotou qualquer procedimento diferencial.

O Centrinho-USP e a Unimed também se pronunciaram por meio de suas assessorias. No primeiro, a rotina de higiene e a prática de examinar os pacientes que chegam de outras instituições estão sendo mantidas, além de acompanhar os rumos da contaminação da KPC. Já no segundo, além desses procedimentos, houve um aumento nas campanhas para que os profissionais lavem continuamente as mãos.

A gerente de enfermagem do Hospital Beneficência Portuguesa Nilde Queiroz de Almeida Lima afirma que o mesmo foi recomendado para a instituição. “Foi passado que deve ser redobrada a prática de lavar as mãos. Além disso, também foram mantidos todos os outros procedimentos de rotina para evitar infecções hospitalares”, conclui.

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Prevenção só no ambiente hospitalar

Apesar dos perigos e do temor que a manifestação da superbactéria KPC vem causando, a população não tem como adotar medidas preventivas contra a contaminação. A afirmação é do secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, que explica que as medidas preventivas somente podem ser tomadas nos ambientes hospitalares.

“Ao contrário de outros casos recentes, nos quais os médicos recomendavam não ficar em aglomerações e outras medidas do tipo, essas dicas não servem para a superbactéria em questão. Ela não se transmite por vias aéreas, somente por meio do contato”.

Ainda segundo ele, a resistência da bactéria está diretamente relacionada ao ambiente hospitalar. “O perfil de resistência é muito mais crítico nos ambientes hospitalares, pois é nesses locais que a bactéria tem contato com antibióticos e acaba se tornando mais resistente”, explica.

Mesmo assim, o secretário afirma que é preciso tomar as medidas gerais de higiene para evitar qualquer tipo de infecção, como lavar as mãos várias vezes ao dia – o álcool em gel ainda é uma opção recomendável - e, caso a pessoa esteja em quadro infeccioso, limpar as secreções e as vias aéreas corretamente.

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SP notificou 70 infecções pela KPC, com 24 mortes, desde julho de 2009

No Estado de São Paulo, chegou a 70 o número de casos notificados de infecção pela superbactéria KPC, informou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao todo, 24 pessoas morreram no Estado após a infecção, entre julho de 2009 e outubro de 2010.

A Anvisa vai publicar na próxima semana uma norma técnica enfatizando recomendações para os profissionais da área de saúde, como a higienização de mãos, e reforçando a necessidade de que as notificações dos casos sejam feitas por Estados e municípios. Mesmo assim, para a agência não há excepcionalidade em torno da KPC.

“Não há nada de muito novo em relação à preocupação agora, em relação aquela que sempre devemos ter em relação a organismos multirresistentes”, disse o diretor da agência Dirceu Barbano. A diretoria da Anvisa também decidiu ontem que as salas de atendimento médico, de hospitais públicos e privados, terão obrigatoriamente de ter frasco com álcool em gel, em um prazo a partir de 60 dias após a publicação da norma. O texto deve sair no Diário Oficial da União na próxima semana.

Apesar do número de notificações, Dirceu minimizou os efeitos da superbactéria. “Os casos de infecções hospitalares com KPC não representam episódio excepcional em relação ao histórico”, comentou. O diretor disse que as medidas adotadas nos casos de KPC são aquelas típicas de prevenção e controle, consideradas padrões.

“Existem outros micro-organismos que são tão ou até mais prevalentes.” Os casos da KPC, observou, ocorrem em ambiente hospitalar, com pacientes de quadro de saúde debilitado. “As infecções são resultado de uma série de fatores, como as condições do paciente e o ambiente no qual ele se encontra. Quanto mais precárias as estruturas, as condições em que as equipes de saúde trabalham, mais precárias serão as condições em que os pacientes serão atendidos.”

Segundo a Anvisa, foram notificados casos de KPC em Minas Gerais (12), Goiás (4) e Espírito Santo (3), entre agosto de 2009 a julho de 2010. No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde identificou 183 casos da KPC, dos quais 46 tiveram quadro de infecção e 18 morreram. Para abastecer a rede pública até o final desta semana, foram comprados R$ 10 milhões em itens hospitalares, em caráter emergencial.

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