A sessão da Câmara Municipal de Bauru, ontem, movimentou dois temas que protagonizaram discussões nos últimos dias. Os vereadores elogiaram o esforço político pela vitória da cidade na escolha para sediar os Jogos Abertos do Interior de 2012 mas advertiram que a administração tem de apresentar planejamento para as obras de infraestrutura esportiva que o evento exige. Outros parlamentares também indagaram sobre o pagamento de indenizações pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) com dinheiro do fundo de tratamento para duas ocorrências de mortandade de peixes em Tibiriçá.
A eleição por aclamação de Bauru como sede dos Jogos Abertos do Interior de 2012 foi o assunto mais comentado da sessão de ontem. Apesar do discurso ufanista de boa parte dos vereadores, a responsabilidade de sediar a maior competição do esporte amador da América do Sul foi debatida durante a reunião. Vereadores da situação e oposição cobraram do Executivo investimentos no esporte de base, além de melhorias de infraestrutura.
Para Marcelo Borges (PSDB) o prefeito deve elencar o esporte como uma prioridade em suas políticas públicas. “É um desafio para o esporte de Bauru e tem tudo para dar certo”, afirma. O tucano lembrou que a cidade que sedia um evento esportivo tem que ter como objetivo ser a campeã do evento. “Mas temos que preparar as equipes e preparar com o objetivo de ganhar medalhas e pontuar bem na classificação. E para isso o prefeito precisa fazer essa decisão política desde já”, afirmou.
Além do investimento no esporte de base, Borges ressaltou a necessidade de ampliar a estrutura da cidade para o evento. “Quem conhece a estrutura que Bauru tem sabe que dois anos para o evento pode ser pouco. E para a construção de novos ginásios, por exemplo, tem que ter licitação e se alguma coisa acontecer, atrasa. A reforma do estádio Edmundo Coube atrasou mais de um ano por conta de um erro na licitação”, lembrou.
Roque Ferreira (PT) avalia a realização do evento como uma oportunidade positiva. “Um momento para se discutir alguns problemas. É óbvio que seria interessante sediar os jogos se as equipes de Bauru pontuassem entre as melhores. Mas é preciso se discutir qual é o plano municipal para esportes. Onde está este plano? E quais as ações de curto, médio e longo prazo?”, questionou. O petista também destacou que é preciso definir o uso desses equipamentos após os jogos. “O investimento deve ser feito em aparelhos públicos. Para não transformar os Jogos Abertos em um megaevento com efeitos apenas passageiros”, alertou.
A falta de equipamentos públicos esportivos foi criticada por Fabiano Mariano (PDT). “Bauru não tem condições nem de receber os Jogos Regionais, quanto mais os Jogos Abertos. Temos cerca de um ano e meio de muito empenho e muita luta para fazer uma competição de qualidade”, observou. Ele também cobrou investimento na formação de atletas. “Não podemos fazer festa para os outros. Temos que investir em escolinhas, fazer um trabalho de base bem feito”, pontuou.
Já Amarildo de Oliveira (PPS) cobrou empenho da prefeitura. “É um grande incentivo para a juventude, que sonha em participar de uma competição deste nível. Nós temos que recepcionar as outras delegações bem, mas precisamos ter planejamento para a prática esportiva na cidade”, lembrou.
Indenizações do DAE
As indenizações que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) pagou a um produtor de peixes do Distrito de Tibiriçá também repercutiram na Câmara. O caso foi levantado na semana passada pelo Jornal da Cidade.
O Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), que arrecada verba carimbada paga todo mês pelos bauruenses para financiar as obras ajustadas com o Ministério Público Estadual para o segmento, foi utilizado pelo DAE para indenizar o produtor em R$ 66,9 mil no final de 2008 pela morte de peixes causada por contaminação de esgoto nos tanques. A lagoa da estação de Tibiriçá teria transbordado com chuva na época.
E em 2009, nova reclamação gerou outro pagamento, este de R$ 55,8 mil. O DAE afirmou que está calculando a verba a ser devolvida ao fundo. O fundo também arcou com R$ 74,4 mil relativos a multa ambiental aplicada em 2008 pelo fato.
Em outro procedimento, José Roberto Segalla (DEM) lembrou que a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara esteve na autarquia para averiguar maquinários, equipamentos e conversar com funcionários. A ação faz parte da apuração da Câmara sobre denúncias enviadas pelo Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) que apontam no caminho de sucateamento da frota e más condições de trabalho no departamento. “Mas ainda temos que checar mais a fundo esse pagamento de indenizações sem a devida investigação”, observou.
O vereador contou que o DAE sabia que não poderia usar essa verba para a indenização. “Entendendo que na primeira situação a mortandade dos peixes foi causada por intervenção no sistema de esgoto de Tibiriçá, que teve de ser remodelado por ser muito antigo, o DAE utilizou verba do fundo. Posteriormente, o fundo se manifestou contrário a isso”, explicou. “O que mais impressiona é sabendo que o fundo foi contra o pagamento em 2008, o DAE insistiu em usar esse dinheiro para pagar nova indenização em 2009”, criticou o vereador.
Chiara Ranieri (DEM) lembrou que o posto de diretor de divisão de serviço de tratamento de esgoto no DAE está vago há meses. “É evidente a demanda que a cidade tem na questão de esgoto. Por isso não entendo como esse cargo está vago”, questiona. A vereadora questiona como o DAE pagou essas indenizações sem discutir o mérito e sem abrir sindicância, no caso do segundo incidente.