Seul -Os líderes do G20 se uniram mas chegaram apenas a um acordo em torno de um fraco compromisso para ficarem alertas em relação a desequilíbrios perigosos, oferecendo aos investidores poucas provas de que o mundo está agora mais a salvo de qualquer catástrofe econômica.
Durante a cúpula em Seul, o grupo de países desenvolvidos e emergentes concordou em estabelecer “diretrizes indicativas” que meçam desequilíbrios entre as economias. Mas, abrindo um parênteses para acalmar alguns ânimos, os líderes deixaram os detalhes pendentes, que serão discutidos no primeiro semestre de 2011.
Os negociadores trabalharam até as primeiras horas da manhã de ontem para redigir um acordo que todos os líderes poderiam aprovar, apesar das profundas divisões que emergiram nos dias anteriores à cúpula.
Os ânimos esquentaram em torno do programa de compra de bônus anunciado pelo Federal Reserve para reforçar a recuperação dos Estados Unidos, e a piora dos problemas de dívida da Irlanda serviram como lembrete de que o sistema financeiro não está curado.
Em comunicado assinado no final da reunião, a quinta desde o início da crise financeira em 2008, havia um pouco para cada um.
Os líderes se comprometeram a avançar para taxas de câmbio determinadas pelo mercado e evitar desvalorizações com fins competitivos, uma referência ao câmbio administrado da China, que os EUA consideram subvalorizado.
O comunicado também prometia evitar desvalorizações competitivas, uma linha direcionada às preocupações de que a política monetária do Fed tenha o objetivo de enfraquecer o dólar.
Cedendo aos países emergentes, que têm dificuldades para conter enormes fluxos de capital estrangeiro, o G20 aceitou a imposição de medidas de controle “cuidadosamente estabelecidas”.
Os líderes concordaram, ainda, que há uma estreita janela de oportunidade para concluir a Rodada de Doha, negociações de liberalização comercial iniciadas em 2001.
Superando as diferenças
Após semanas de embates verbais, Estados Unidos e China buscaram superar as diferenças sobre a moeda “subvalorizada” da China e os riscos globais criados pelas medidas norte-americanas de estímulo monetário.
“As taxas de câmbio precisam refletir realidades econômicas ... As economias emergentes precisam permitir que suas moedas sejam conduzidas pelo mercado”, disse Obama. “Isso é algo que eu comentei com o presidente Hu (Jintao) da China, e nós observaremos de perto a apreciação da moeda chinesa.”
O acordo do G20 buscou recuperar a unidade forjada durante a crise, há dois anos, mas as divisões profundas significam que os líderes não conseguiram ir muito além dos acordos alcançados pelos ministros das Finanças no mês passado.
Em particular, os líderes não conseguiram chegar a um consenso para determinar quando os desequilíbrios globais representam uma ameaça à estabilidade econômica, comprometendo-se a uma discussão sobre o tema no primeiro semestre do ano que vem.
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Decisões mais difíceis ficam para encontro de 2011
Seul - Com as decisões mais duras adiadas para a cúpula do G20 do próximo ano, os países participantes adotaram um tom de otimismo moderado para descrever os resultados do encontro de Seul.
“O trabalho que fazemos aqui não será sempre crucial”, disse o presidente dos EUA, Barack Obama, em entrevista coletiva logo após o encerramento. “Não será sempre capaz de mudar o mundo imediatamente.”
Obama voltou a se defender das críticas contra a decisão do Fed (banco central dos EUA) de emitir até US$ 600 bilhões para aquecer a economia, medida chamada de “desvalorização disfarçada’’ por países como Brasil, China e Alemanha.
Anfitrião da próxima cúpula, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o “acordo de Seul é melhor do que um desacordo” e prometeu trabalhar “de mãos dadas” com o FMI.
Prestígio em queda
O presidente dos EUA, Barack Obama, nem terminou sua viagem à Ásia, mas já é visto como o grande perdedor após ser crucificado no G20 pelas políticas econômicas americanas e ver naufragar o acordo de livre comércio com a Coreia do Sul. Pouco depois da derrota nas eleições para o Congresso, quando a oposição retomou controle da Câmara dos Representantes, a situação interna se complica ainda mais para Obama com a queda de prestígio no exterior.
O racha entre os EUA e as demais potências do G20, especialmente tradicionais aliados como Reino Unido e Alemanha, culminou numa cúpula em Seul finalizada sem resultado de impacto. A imprensa americana afirmou em uníssono que os fracassos na Ásia deixaram líderes mundiais questionando a autoridade dos EUA.