“O dever para com Deus, com a pátria e com o próximo”. É exatamente seguindo esses princípios fundamentais de educação e cidadania que o grupo bauruense de escoteiros Tiradentes completa 34 anos de existência amanhã.
O escotismo existe mundialmente há mais de 100 anos e é considerado um movimento internacional, educacional, voluntariado, apartidário e sem fins lucrativos. O objetivo é exatamente reforçar nas crianças e jovens os valores de cidadania e honra, subsidiados no trabalho em equipe e na valorização da natureza.
Em Bauru, o grupo Tiradentes, fundado em 1976 pelo jovem Jorge Ijuin, já passou tais valores a centenas de membros de várias idades. Segundo a atual presidente do grupo, Zoraide Grassi, após todo esse tempo o resultado é bastante gratificante.
“Tem dia que eu estou andando na rua e vem um homem feito, já até de barba, e me chama de ‘chefe’. Ao conversar, lembro que fui sua chefe quando ele era bem pequenino. É uma sensação extremamente boa. Eles me contam que, até hoje, quando fazem a mala, lembram de mim e dos nossos ensinamentos. É um sinal de que algo bom ficou”, explica. Atualmente, o grupo possui 126 integrantes, divididos entre as categorias lobinho (7 a 10 anos), escoteiros (11 aos 15), sênior (15 a 18), pioneiro (18 a 21) e escotistas (acima de 21 anos). A presidente afirma que, quem quiser participar do grupo, é só comparecer na sede, localizada na rua Moysés Leme da Silva, 4-50, Jardim América.
“Temos nossas atividades aos sábados depois das 14h30. Quem se interessar, pode vir aqui e fazer parte do nosso grupo. Há uma mensalidade de R$ 25,00 para custear nossas despesas.”
Zoraide Grassi acredita que, se houvesse mais escoteiros, a cidade e o mundo seriam lugares melhores.
“Com certeza, tudo seria mais correto, pois os valores que os escoteiros passam são eternos. Uma vez aprendidos, ficam permanentemente com as pessoas e, assim, elas melhoram seu comportamento e passam a respeitar o outro e o lugar onde vivem”, conta.
E, apesar de dizer isso como presidente do grupo, Zoraide também confirma o fato por experiência familiar. Ela tem três filhos que passaram pelo grupo Tiradentes e aponta que a experiência, com certeza, os tornou pessoas melhores.
“Hoje eles são adultos. Mas a gente percebe que eles carregam alguns ensinamentos da experiência (da época de escoteiros). E são todos ensinamentos extremamente positivos que têm importância em suas vidas até hoje”, completa.
Histórias X valores
Ontem e hoje, a sede do grupo Tiradentes promove um curso que visa capacitar e aprimorar pedagogicamente chefes de lobinho de toda a região. Denominado Curso Técnico de Interpretação do Livro da Jângal, os participantes estão aprendendo como é possível ensinar os valores aos lobinhos utilizando as histórias de Mogli, conhecido na literatura infantil como o menino lobo.
O curso é dirigido pela coordenadora nacional do Ramo Lobinho, Sônia Jorge, que explica e aprimora a possibilidade de haver uma transferência de valores da ficção para a realidade das crianças.
“Na história, os valores que estão contidos nos personagens animais são mais evidentes. Na realidade, esses valores se misturam, pois, ninguém é perfeitamente bom ou mau. Já na ficção, isso fica mais marcado. E, assim, as crianças começam a entender esses valores e saber identificar na realidade. É um processo bastante educativo”, explica.
Ao todo, cerca de 30 chefes de lobinhos da região estão participando do curso. A coordenadora explica que, além da interpretação, há também uma preocupação em saber quais os métodos mais adequados de passar esses valores.
“O chefe se coloca no lugar da criança e vê qual a melhor maneira de repassar esses valores aos lobinhos. Por isso, são pensadas em atividades lúdicas e em todo um subsídio psicológico e pedagógico. Pensamos em educar por meios diferentes dos tradicionais e, com este curso, nos colocamos no lugar das crianças para ver se isso realmente funciona”, conclui.