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Levantamento mostra que candidatos de seis Estados devem refazer o Enem

Folhapress
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Brasília - Com a queda da liminar que tinha suspendido o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o Ministério da Educação começa, agora, a organizar a reaplicação das provas para os candidatos prejudicados pelo problema nos 21 mil cadernos de prova amarelos que apresentaram erro de montagem e não continham todas as 90 questões. As informações são da Agência Brasil.

Inicialmente, o MEC estimou que 10% dos 3,3 milhões de alunos que se submeteram às provas no último fim de semana não teriam conseguido trocar os cadernos com problemas. Mas os dados levantados até agora mostram que o número é bem menor. Até o momento, menos de 200 ocorrências foram identificadas, em seis Estados: Minas Gerais, Distrito Federal, Pernambuco, Sergipe, Paraná e Santa Catarina.

O levantamento desses estudantes que terão direito a refazer as provas de ciências da natureza e humanas, aplicadas no último sábado, está sendo feito a partir das atas das 128 mil salas de prova. Esse documento é utilizado pelos fiscais para relatar qualquer problema que tenha ocorrido durante a aplicação. Só vai poder refazer a prova aqueles participantes que tinham o caderno com erro, relataram o defeito ao fiscal e não puderam trocar o material.

Como ainda não está definido o total de estudantes que participarão da reaplicação do Enem, ainda não está marcada a data da prova. Mas o MEC trabalha com a possibilidade de realizá-la no dia 4 de dezembro. Como apenas os cadernos do sábado apresentaram o defeito, só será necessário um dia para aplicar o exame aos prejudicados.

Aplicação de mais de uma prova por ano é alternativa

São Paulo - Provas on-line, descentralizadas ou aplicadas mais de uma vez ao ano estão entre as alternativas ao modelo atual do Enem, afirmam reitores e analistas de educação.

Para o ministro Fernando Haddad (Educação), a melhor maneira de evitar novos problemas no exame é a realização de várias edições da prova ao ano - o que evitaria a necessidade de se montar uma grande estrutura de segurança para um único dia.

A ideia inicial era que já houvesse dois exames neste ano, mas o plano foi abortado devido à fraude no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) - aplicado pela Cespe, que também aplicou o Enem. “Antes do término do inquérito da Polícia Federal, nós não sentimos segurança para abrir as inscrições para a prova”, disse anteontem.

Para Olinda Assmar, reitora da Ufac (federal do Acre), as federais têm de estar ao lado do Ministério da Educação na execução da prova.

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Exame cresce em custo e erros, mas recebe apoio

São Paulo - Um exame que passou a servir como vestibular nacional, com 4,6 milhões de inscritos, e visa melhorar o ensino médio do país. Mas que também enfrenta problemas de aplicação e custa três vezes mais que há dois anos.

Considerados os prós e os contras do novo Enem, o exame deve continuar, afirmam educadores, dirigentes e representantes de escolas e universidades. Todos, porém, cobram mudanças.

Objetivos

Um dos objetivos mais elogiados é a tentativa de induzir o currículo das escolas a seguir o padrão do exame, que privilegia mais o raciocínio que o aprofundamento de matérias. Isso é factível porque o Enem ganhou mais peso ao virar um vestibular -e ficar mais importante para as escolas.A mudança começou em 2009. Em 2010, a prova seleciona 83 mil calouros para as universidades federais.

Junto com a expansão, veio o aumento de custos. O gasto com o exame passou de R$ 65 milhões para R$ 178 milhões, mais que o MEC destina a entidades de educação especial.

Veio também uma série de problemas operacionais, como o vazamento da prova do ano passado e agora erros de impressão e falhas nas instruções de fiscais.

Apoio com ressalvas

“Precisamos de debate. Não contra o exame, mas para aperfeiçoá-lo”, diz o presidente em exercício da Andifes (entidade dos reitores das federais), João Luiz Martins.

“As mudanças no Enem são positivas, mas foram feitas de forma muito abrupta”, afirma Tufi Machado Soares, um dos maiores especialistas em avaliação e pesquisador da federal de Juiz de Fora.

Ele defende os gastos, pois “os objetivos são nobres”.

Para Maria Helena Guimarães de Castro, presidente do Inep (órgão do MEC responsável pelo exame) na gestão FHC, “uma prova que exige Exército, Correios e milhares de fiscais no mesmo dia não tem como dar certo”.

Ela defende a manutenção do exame, mas com aplicação em diversos dias, o que diminuiria a estrutura de segurança necessária.

Sobre o aumento dos custos, ela afirma: “Vale a pena, desde que o exame seja eficaz. Por enquanto, tem havido muitos problemas”.

Manifestaram apoio ao Enem UNE (União Nacional dos Estudantes), Consed (entidade dos secretários estaduais de Educação), Sieeesp (sindicato de escolas privadas de SP) e ONU (Organização das Nações Unidas).

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