Tribuna do Leitor

Carta aberta ao meu Pekeno Kidi


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Filho... São 01h02 min. Já é sexta-feira, dia 12 de novembro... Mamãe parou um pouquinho para escrever para você, meu amor... Dois anos... Você já é um pequeno mocinho... Um mocinho lindo que encanta a todos com seu sorriso aberto e matreiro... "Quebra qualquer bronca"... Desarma a gente... Queria ter filmado a sua última "arte", mas não consegui... Então, resolvi escrever e registrar para a pos-teridade... para que essas lembranças... tão caras lembranças, fiquem registradas numa folha de papel... Para que não se apaguem no tempo e não fiquem exclusivamente na solidão da minha memória de mãe, tão rica de detalhes de você...

Nessa fase preciosa dos seus primeiros anos de vida e das quais não se lembrará no futuro... Essas páginas coloridas do livro da sua vida ocuparão para sempre um espaço muito especial dentro do meu coração e da minha memória... como as lembranças dos meus primeiros anos... hoje patrimônio histórico da memória de minha mãe, que segurava as minhas mãozinhas pequenas com tanto amor como hoje eu seguro as suas...

Era terça-feira e a mamãe foi lhe buscar na escola, com a tata, minha pequena grandinha Aísha, com suas xuxinhas coloridas, cinco anos e apenas trinta centímetros a menos que a mamãe... Nossa... Você, com seu sorriso rasgado, correu para mim e me abraçou, feliz e talvez surpreso em encontrar a mamãe em vez do tio da perua... Você chegou em casa tirando a roupa, ficou peiado... e pediu none, none... Eu o coloquei para comer na sala, vendo televisão. Você ficou sentadinho... A imagem de um anjo... A mamãe não viu problema em lhe deixar rapidamente sozinho na sala... Apenas brevemente sozinho. Algo em torno de 1 minuto... Foi o tempo de você esfregar danone no fofá e na paede com a iéi (a sua versão de colher, em bebelês..).

Eu o peguei em flagrante, trabalhando con-centradamente... como um pedreiro manejando uma colher de massa na parede... Fiquei brava... e recebi um sorriso... (talvez seja um seu modus operandi... esses dentinhos separadinhos que me mostra toda vez que a mamãe chama sua atenção deve ser alguma espécie de "salvo-conduto"...) A mamãe saiu novamente, apenas p/ buscar um pano na cozinha p/ retirar os resíduos da obra...e quando voltei..., quando voltei, filho...você estava de quatro, equilibrando-se no braço do sofá, lambendo gostosamente a parede... ao me notar, olhou para mim, sorrindo de novo....um sorriso cor de rosa da "massa"... Foi o máximo! Mamãe teve um ataque de riso, foi uma cena tão gostosamente traquina que a mamãe nem pensou em dar qualquer bronca....e eu vou lembrar para o resto da vida dessa sua criatividade...meu pekeno Kilwangy....

Meu "conquistador". Meu filho amado... Um beijo do tamanho do mundo... Mamãe te ama. E um dia, sentirei uma saudade resignada - com os meus cabelos branquinhos... - desses nossos dias tão juntos, quando o meu passarinho sair voando pela janela, em direção ao mundo...ao vasto mundo...que nesse tempo, sempre lhe acompanhe a plena certeza da vastidão, da imensidão do meu amor... (Ass.: Mamãe Simone Regina de Souza Kapitango-a-Samba)

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