Londres - Mesmo escondido da Interpol, Julian Assange, fundador do WikiLeaks, voltou a atacar os EUA, ontem. Disse que o país está por trás de ameaças contra sua vida e que não respeita a liberdade de expressão.
Afirmou ainda que se alguma coisa acontecer com ele, documentos ainda não divulgados sobre os EUA e outros países serão publicados imediatamente.
Para Assange, a pessoa que entregou os documentos do governo americano para serem divulgados no site é um herói sem igual. Ele deu indicação forte de que se trata do soldado Bradley Manning, preso nos EUA.
O fundador do WikiLeaks, que continua em lugar desconhecido, participou de uma sessão de perguntas e respostas com leitores do site do jornal “The Guardian’’, do Reino Unido. Foram enviadas mais de 900 perguntas, mas ele respondeu apenas 15.
Quando questionado se temia pela própria segurança, disse que sim e que está tomando as precauções necessárias porque está lidando com uma superpotência.
Depois, afirmou que aqueles que sugerem que deve ser caçado (como Sarah Palin, candidata a vice-presidente pelo Partido Republicano nas últimas eleições dos EUA e estrela da direita americana) ou morto (como Tom Flanagan, conselheiro do primeiro-ministro canadense) deveriam ser processados por incitar o seu assassinato.
Ainda sobre a questão segurança, Assange disse que arquivos com documentos sobre os Estados Unidos e outros países ainda não revelados estão espalhados por vários países e com muitas pessoas. Tudo seria divulgado imediatamente, segundo afirmou Assange, se alguma coisa acontecesse com ele.
Assange disse que a decisão da Amazon de não mais hospedar o WikiLeaks em seu servidor, após pressão do governo dos EUA, mostra que a liberdade de expressão é uma ficção no país.
“Desde 2007, temos deliberadamente usado servidores em jurisdições em que a gente suspeita exista deficit de liberdade de expressão. A intenção é separar retórica de realidade. A Amazon foi um desses casos.’’
ET e répteis
A maioria das perguntas trazia elogios a Assange. Alguns até perguntavam como fazer para doar dinheiro ao WikiLeaks.
Algumas eram apenas curiosas. Um leitor perguntou se ele tinha recebido documentos sobre objetos voadores não identificados.
Assange respondeu que alguns malucos mandam e-mails sobre extraterrestres ou dizendo que são o anti-Cristo. Mas disse que em documentos da diplomacia americana a serem publicados, há referências a óvnis.
Outro questionou se havia algo sobre répteis que estão andando por aí sob a pele de humanos, como afirma o escritor inglês David Icke. Essa não foi respondida.
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Países e empresas fazem cerco
Londres - Liderados pelos EUA, governos e empresas intensificaram ontem o cerco ao WikiLeaks, numa cruzada para impedir o site responsável pelo vazamento de 250 mil documentos diplomáticos americanos secretos de continuar no ar.
Alegando ser alvo de onda de ataques virtuais, a empresa que fornecia endereço ao site, a americana EveryDNS, interrompeu o serviço, levando o WikiLeaks a migrar, inicialmente a um endereço na Suíça, e depois para Alemanha, Holanda e Finlândia.
A EveryDNS disse que suspendeu o wikileaks.org à 1h de ontem (horário de Brasília), deixando o site inacessível por cerca de seis horas. Pela manhã, já era possível acessar seu conteúdo no endereço wikileaks.ch. Depois foram obtidos os domínios .de, .nl e .fi.
Os 250 mil documentos diplomáticos, ainda não totalmente revelados, desnudaram as ações de bastidores da diplomacia dos EUA, trazendo à luz movimentações sigilosas do país e constrangendo a Casa Branca ante lideranças do mundo inteiro. Uma investigação criminal foi iniciada pelo Departamento de Justiça americano.
Anteontem, o site especializado em vazamentos já havia saído do ar por pelo menos cinco horas depois de a Amazon.com, a responsável pelo servidor que hospedava o conteúdo do WikiLeaks nos EUA, suspender o serviço.
A suspensão da hospedagem do conteúdo foi precedida de forte pressões das autoridades americanas. O senador independente Joe Lieberman chegou mesmo a pedir o boicote às empresas que têm relação com o site.
Ontem foi a vez de o governo da França tomar a iniciativa de exercer pressão para impedir que o site siga disponibilizando conteúdos. O ministro do Interior, Eric Besson, pediu providências para que o site não seja mais hospedado na França.
O cerco se estende ainda ao fundador do site, o australiano Julian Assange, 39. Hoje, a Suécia emitiu mandado de prisão contra Assange retificando detalhes burocráticos que impediram sua detenção a partir de um mandado expedido anteriormente.
Até ontem à noite, sua prisão não havia sido realizada, porém autoridades do Reino Unido - onde se acredita que ele esteja escondido, embora acessível - afirmaram que a sua detenção é “iminente’’.