Economia & Negócios

Descomplicando a economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 4 min

‘Nova’ equipe econômica

A presidente eleita, Dilma Rousseff, anunciou a “nova” equipe econômica. Coloquei o nova entre aspas à medida que o comando geral ficou a cargo do atual Ministro da Fazenda, Guido Mantega, portanto a renovação não foi total. O mercado assimilou bem as indicações da presidente eleita. Os discursos iniciais geraram expectativas positivas ao reforçarem a necessidade do um forte ajuste fiscal, notadamente na qualidade dos gastos públicos.

Menores gastos na máquina pública

É fundamental o controle dos gastos públicos correntes, aqueles que mantêm a máquina pública, também denominados de gastos em custeio, para que hajam recursos para investimentos (que geram riqueza e empregos). Quando os gastos correntes são exagerados, não há sobras para ampliar investimentos em setores produtivos. Quando aumenta a demanda, não havendo oferta, este desequilíbrio gera alta de preços, ou seja, inflação. O Banco Central, para manter os preços sob controle, aumenta os juros básicos, inibindo o crescimento da demanda. Se houver maior rigor fiscal, abre-se espaço para juros menores. Vamos ver na prática.

Alteração no índice de inflação

O ministro Guido Mantega sinalizou com a criação de uma nova metodologia de cálculo do índice de inflação oficial. Seriam retirados, ou seja, expurgados do atual índice os alimentos, bebidas e a gasolina. O peso dos alimentos e bebidas é de 22,1.% e o da gasolina é de 5,02%. Quando a decisão é por mexer nos juros básicos para controlar a inflação, leva-se em conta atualmente todos os produtos, inclusive estes dois grupos, contudo, não são produtos financiáveis, portanto, os juros altos controlam preços que eventualmente não tiveram elevação. Com expurgo haveria um nível de inflação que balizaria a decisão de juros mais altos ou mais baixos. O resultado pode ser uma taxa de juros básica menor. Alguns países já adotam esta metodologia. Vamos acompanhar.

Banco Central mexe no crédito

De olho na inflação, o Banco Central aumentou as exigências para os financiamentos acima de 24 meses. Elevou o compulsório, que é o depósito obrigatório que as instituições financeiras precisam depositar junto ao Banco Central, ampliando ainda o controle sobre as mesmas. Os juros na ponta devem subir e com isso o Banco Central poderá evitar aumento dos juros básicos na última reunião deste ano, que será realizada nesta semana. De um lado os juros para financiar crescem, de outro pode ser que os preços dos produtos caiam. São apostas. Vamos acompanhar. Tudo isso confirma a lógica descrita acima. Sempre a política monetária é utilizada para contornar decisões mais estruturadas.

Injeção local de R$ 135.000.000

Fazendo o cálculo tomando por base a estimativa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que projeta a injeção de R$ 102 bilhões na economia brasileira via pagamento do décimo terceiro, estima-se que em Bauru o valor total do décimo terceiro salário será de R$ 135 milhões. Deve-se considerar que parte destes recursos será gasto fora do município, mas também é verdade que muitos consumidores da região farão suas compras na cidade. De qualquer maneira as empresas podem se preparar para um grande movimento. Estimativas apontam para um crescimento nominal na ordem de 11% neste final de ano. Mãos à obra.

Desemprego em queda

O desemprego no Brasil ficou em 6,1% da população economicamente ativa em outubro deste ano. É a menor taxa desde 2002. O consumo doméstico tem crescido e, com ele, maior volume e vendas por parte das empresas e mais contratações. Mercado de trabalho aquecido elevou o salário médio. Em 2009 a média salarial foi de R$ 1.414,77. Neste ano a média já está em 1.461,92, ou seja, 6,5% a mais. Mais um dado apontando para um mercado consumidor robusto neste final de ano.

Proteção à Saúde e Segurança

O Artigo 6º, I, do Código de Defesa do Consumidor estabelece normas que devem nortear o fornecimento dos produtos no que se refere à proteção à saúde e segurança. Alguns produtos podem oferecer riscos ao consumidor. É direito seu ser protegido contra produtos que possam ser perigosos. Assim, um alimento não pode conter uma substância que pode fazer mal à saúde; um açougue não pode vender carnes embrulhadas em sacos de lixo ou papel de jornal; um remédio que causa dependência não pode ser vendido livremente, sem receita médica.

Mude para melhor!

Às vezes me pergunto: é preciso viajar para lugares distantes para sentir a beleza da natureza? A resposta é definitivamente não! O curioso é que o espetáculo da natureza se repete diariamente e não somos capazes de perceber tamanha beleza. Às vezes a natureza vem com mais violência, mas a ação do homem maximiza os estragos. Muitas pessoas querem mudar de cidades, visitar lugares novos para experimentar algo novo e se esquecem que o novo está dentro de cada um e que um olhar diferente para o cotidiano, para o que está ao nosso alcance, já é suficiente para novos sentimentos. Mas para que tudo isso acorra é precisa se dar um tempo, sair da massacrante rotina e, acima de tudo, valorizar o que de belo o engenheiro do universo nos concedeu. A busca diária pelo sustento e pelas conquistas materiais não pode estar acima da sensibilidade em sentir os sinais de Deus oferecidos através da natureza. Mude já, mude para melhor! Boa semana.

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